Criada Associação dos Amigos do Convento de Mafra para recuperar património

Criada Associação dos Amigos do Convento de Mafra para recuperar património

A nova Associação dos Amigos do Convento de Mafra, criada com objetivo de angariar verbas para recuperar o maior conjunto sineiro do mundo, é formalizada na quarta-feira com uma assembleia-geral para aprovação dos seus estatutos.
Vítor Hugo Marques, um dos 17 fundadores e futuro presidente da direção, disse à agência Lusa que a associação é criada com a finalidade de "angariar dinheiro através de ações de sensibilização e de eventos culturais".
O futuro presidente da direção da associação explicou que "administração pública não tem verbas para a conservação muito dispendiosa", justificando assim a necessidade de envolver a sociedade civil nessa tarefa.
A associação, que vai ter sede numa sala do palácio, vai abrir uma conta bancária em que podem ser depositados donativos e está a pensar organizar eventos, desde desfiles de moda, jantares e feiras temáticas.
Os ‘guardiões’ do palácio pretendem também concretizar uma antiga ambição de Mafra, a abertura de uma escola de aprendizagem da arte de organaria no palácio para encontrar seguidores do mestre Dinarte Machado, que liderou a equipa responsável pela recuperação dos órgãos históricos da basílica.
Depois do investimento de 10 milhões de euros na requalificação dos seis órgãos, a prioridade passa agora pela recuperação dos 119 sinos, para voltarem a soar.
O maior conjunto sineiro do mundo é mais antigo um século do que o Big Ben, em Londres, possui melhor qualidade acústica e pesa menos uma tonelada do que os sinos da capital britânica.
Em causa e à espera de obras, orçadas em 1,8 milhões de euros, estão também os dois maiores carrilhões do mundo, um composto por cerca de meia centena de sinos e por sistemas mecânicos extraordinários.
Os imponentes autómatos, dos que se encontram no estado mais original da sua criação em todo o mundo, obrigavam no século XIX ao trabalho diário, 24 sobre 24 horas, de 26 pessoas no palácio para os fazer mover, de modo a fazer soar os sinos de acordo com as horas e os ritos litúrgicos.
Segundo os investigadores, o carrilhão sul deixou de tocar no ano 2000 e o carrilhão norte não toca há um século. Segundo os registos existentes na biblioteca, os sinos litúrgicos deixaram de soar em 1830.