Conservação e restauro da Igreja dos Jerónimos vai avançar

Conservação e restauro da Igreja dos Jerónimos vai avançar
O protocolo para a conservação e restauro das abóbadas da igreja o Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, é assinado na sexta-feira, entre a associação World Monuments Fund (WMF) Portugal e a Fundação Millennium bcp.
   
As abóbadas da igreja e a porta de aparato virada para o Tejo "necessitam de intervenção urgente que as conserve, preservando a integridade do monumento", segundo comunicado assinado pelas duas entidades.
 
Fonte do Mosteiro dos Jerónimos disse à Lusa que, "neste momento, é absolutamente crucial preservar este espaço e resolver os problemas já diagnosticados com uma resposta eficaz, utilizando a metodologia mais adequada a uma intervenção que previna a deterioração das abóbadas, as infiltrações, o refechamento de juntas e o tratamento das patologias da pedra".
 
As abóbadas e a porta de aparato, de autoria do arquiteto João de Castilho (1490 -1581), são consideradas "únicas e inovadoras para a época em que foram construídas, entre 1517 e 1522, e são um exemplo maior do estilo manuelino em Portugal", sublinha o comunicado, referindo que o monumento é visitado por "milhares de portugueses e estrangeiros".
 
Segundo fonte do Mosteiro, foi realizado um "levantamento preliminar do estado de conservação das estruturas e da pedra, e verificou-se que a intervenção no interior da igreja só seria bem-sucedida se, simultaneamente, se procedesse a uma intervenção de conservação e consolidação das paredes e fachadas exteriores de forma a assegurar a estanquicidade do seu interior".
 
"A consolidação e conservação das abóbadas de paredes e fachadas foram já objeto de um diagnóstico prévio que, através do mapeamento das superfícies e dos registos fotográficos, identificou as principais patologias, definiu um calendário faseado da intervenção e as metodologias e materiais mais adequados a cada uma das situações encontradas", disse a mesma fonte,
 
A "análise dos dados resultantes de cada uma destas fases trará novas informações que irão contribuir e serão relevantes para as decisões a serem tomadas nas fases seguintes", acrescentou.
 
A mesma fonte do Mosteiro realçou à Lusa a "complicada tarefa da construção da cobertura da nave e do cruzeiro da igreja, trabalho de grande perícia e complexidade, que nos dá conta da excelência e especialização nas técnicas de abobadamento", de Castilho.
 
"O sucesso desta intervenção depende em grande parte da reposição da estanquicidade do espaço interior da igreja", salientou.
 
Segundo esta fonte, "a análise preliminar das patologias da pedra e do estado de conservação das argamassas e das juntas e nervuras das abóbadas obriga a intervir simultaneamente no interior e exterior do monumento".
 
A mesma fonte disse que foi estabelecido um plano faseado para esta intervenção, que já se iniciou, e que "decorrerá até 2022". Este ano ano está previsto a conclusão da intervenção na torre sineira.
 
No início de 2015, na apresentação à comunicação social do Plano de Conservação e Restauro das Abóbadas da Igreja do Mosteiro dos Jerónimos, que se iniciara em 2012, a Direção-Geral do Património Cultural disse que o custo global do projeto estava estimado em dois milhões de euros.
 
O mosteiro foi mandado erigir em 1501 pelo rei D. Manuel I, tendo as obras sido iniciadas em 1515, e foi entregue à Ordem de S. Jerónimo. A capela-mor da igreja alberga o panteão real da Casa Avis-Beja, onde se encontram os túmulos de D. Manuel I e da sua segunda mulher, D. Maria, de D. João III e sua mulher D. Catarina, e o cenotáfio do rei D. Sebastião.
 
Em 1983, a UNESCO classificou o Mosteiro e a Torre de Belém, ns proximidades, como Património da Humanidade.
 
Segundo os últimos números anuais disponíveis, relativos a 2014, a igreja dos Jerónimos, com entrada livre, é o monumento mais visitado do país, com 2,5 milhões de entradas anuais.
 
Os cálculos foram feitos pela DGPC, com base nas entradas nos claustros (pagas), que em 2014 ascenderam a 807.845 visitantes
 
A WMF Portugal, através de um protocolo assinado em maio de 2014 com a DGPC, colabora neste projeto, quer através do apoio científico e técnico, quer na angariação de fundos, junto de mecenas nacionais e internacionais.
 
A Fundação Millennium bcp, segundo o mesmo comunicado, desenvolve políticas de solidariedade social, mecenato cultural e institucional e "tem procurado concentrar os seus recursos no apoio a instituições e organismos de referência e a projetos que apresentem orientação para o longo prazo"