Conhece a história dos discos de travão automóvel?

Conhece a história dos discos de travão automóvel?

Umas das componentes de extrema importância no sistema mecânico do automóvel, a fim de evitar acidentes na via pública, é o travão. Existem pelo menos dez tipos de travões distintos, dependendo do tipo e dimensão do veiculo, sendo o mais comum, e utilizado nos automóveis que levamos diariamente para o trabalho, o travão a disco. Muitos são os fabricantes especializados neste tipo de travões, sendo que atualmente no mercado o que se encontra melhor cotado e com uma melhor relação qualidade/preço é o de fabricante BOSCH.

O travão de disco é constituído por um disco ou por um tambor, ou ainda pelos dois. Este sistema funciona através da compressão dos discos contra as rodas impossibilitando assim o veículo de continuar a sua marcha, imobilizando-o. Esta imobilização através da diminuição progressiva da velocidade acontece aquando da fricção do disco de travão nas rodas, transformando a energia cinética provocada pelo movimento do carro em energia térmica, permitindo assim a sua total imobilização.

Nos dias de hoje, a maioria dos veículos automóveis utilizam um sistema de travagem misto, composto maioritariamente por dois discos de travões nas rodas dianteiras do veículo e dois tambores de travões nas rodas traseiras do automóvel. Este tambores são responsáveis por uma dissipação mais rápida do sistema térmico melhorando e otimizando assim a performance de travagem do veículo, bem como evitando o seu sobreaquecimento. Alguns veículos possuem um sistema que inclui, para além dos dois tambores traseiros, quatro discos de travões. Este sistema mostra-se ser extremamente eficaz e melhorando a eficácia do sistema de travagem do veículo automóvel.

Contudo, o sistema de travagem nos veículos automóveis nem sempre foi assim. Como era de se esperar, tal como todas as invenções tecnológicas saídas da Revolução Industrial, o veículo automóvel teve o seu desenvolvimento progressivo. Consegue imaginar que este sistema de imobilização do veículo automóvel apenas chegou ao mercado europeu nos anos 50 e ao mercado norte americano nos anos 60?

Então como faziam os condutores para imobilizar os veículos antes desta invenção? De que forma eram evitados os acidentes?

Esta foi exatamente a mesma pergunta que o engenheiro francês Nicolas Joseph Cugnot (1725 - 1804) se esqueceu de colocar a si próprio, quando no início do século XVIII foi vítima do que consta na tabela cronológica da história do automóvel como o primeiro acidente automobilístico da História da humanidade. O inventor do primeiro veículo auto propulsionado (1876) esqueceu-se de como faria para travar o seu pesadíssimo - quase dez toneladas - veículo que serviu para transportar o arsenal militar da época e que acabou por esbarrar contra um muro. Felizmente, este veiculo apenas atingia os dez quilómetros por hora. Mudando a História da locomoção da humanidade, Cugnot, desenvolveu um veículo que se movia através vapor criado pelo aquecimento de uma caldeira instalada na dianteira do mesmo e que se encontra preservada até aos dias de hoje. Poucos anos mais tarde, desenvolverá um novo modelo, desta feita para passageiro, com a forma de um triciclo.

Após anos de desenvolvimento e numa indústria que a cada ano era introduzida uma evolução nova, a primeira vez que foi testada uma forma de desaceleração das rodas através da fricção por um disco de travões foi em 1890. Elmer Ambrose Sperry (1860-1930), um inventor norte americano, tentou este feito num carro elétrico. Nesta primeira versão de disco de travão, as pastilhas eram friccionadas levando as rodas a travar por meio eletromagnético.

Foi, contudo, no ano de 1902 que o engenheiro Frederick William Lanchester (1868-1946), pioneiro da construção de motores automotivos, patenteou e produziu os primeiros discos de travões na sua fábrica em Birmingham. Este disco era feito de cobre um material que se desgastava muito rapidamente devido ao mau estado das estradas existentes na época.

Em 1924 o Cadillac V-63 possuía já feios de travões nas quatro rodas, ainda que este sistema não fosse produzido e distribuído industrialmente. No mesmo ano, a Chrysler introduziu um veículo automóvel com um motor de 6 cilindros de alta compressão (4.7:1) sendo imobilizado por freios hidráulicos nas quatro rodas.

Em 1953, no Reino Unido, é produzido e introduzido o primeiro disco de travão realmente confiável no carro de corrido Jaguar C-Type. Num modelo comercial encontramos esta inovação moderna no francês Citroën DS em 1955, sendo que o primeiro veículo automóvel de produção que introduziu os discos de travões nas quatro rodas terá sido o modelo 100S da britânica Austin-Healey um ano antes. A Austin-Healey, criada em 1952, foi uma empresa de produção de carros desportivos criada pela Austin, uma dependência da British Motor Corporation (BMC) em cooperação com Donald Mitchell Healey (1898-1988), um engenheiro e designer automóvel britânico que era condutor de Rally e detinha um recorde de velocidade.

A generalização e comercialização industrial deste sistema mecânico na indústria automóvel só se fez nas décadas de 1950, no continente europeu, e nas décadas de 1960 nos Estados Unidos da América.