Concertos celebram 50 anos do programa de rádio de José Duarte

Concertos celebram 50 anos do programa de rádio de José Duarte
O programa de rádio "Cinco minutos de jazz", do radialista e divulgador José Duarte, cumpre 50 anos e a data é celebrada este mês com cinco concertos no Hot Club de Portugal (HCP), em Lisboa.
   
De acordo com o HCP, os 50 anos do programa de rádio serão assinalados com cinco concertos protagonizados pelos saxofonistas Lou Donaldson e Steve Potts, dois nomes com ligações antigas a José Duarte.
 
"Cinco minutos de jazz" foi estreado a 21 de fevereiro de 1966 na Rádio Renascença. José Duarte tinha então 28 anos e antes tinha passado pela Rádio Universidade, em Lisboa, onde conduzia o programa "O jazz, esse desconhecido".
 
Em 1975, logo a seguir à Revolução de Abril, "Cinco minutos de jazz" sofreu uma interrupção, tendo sido recuperado em 1984 para a Rádio Comercial e transferido em 1993 para a grelha de programação da Antena 1, onde se mantém até hoje.
 
Considerado o mais antigo programa da rádio portuguesa, "Cinco minutos de jazz" dedica-se, em cada emissão, a uma música da história do jazz, abrangendo diferentes estilos e décadas.
 
O indicativo sonoro do programa foi escrito e interpretado por Lou Donaldson, o saxofonista norte-americano que tem hoje 89 anos e que estará nos dias 22 e 24 de fevereiro no Hot Club de Portugal.
 
Os restantes três concertos (nos dias 25, 26 e 27) ficarão por conta de outro saxofonista norte-americano, Steve Potts, 73 anos, frequentador do Hot Club e que participou, nos anos 1970, na gravação do primeiro disco de jazz ao vivo em Portugal.
 
"Estilhaços", assim se chama o disco, foi gravado a 29 de fevereiro de 1972 no antigo cinema Monumental, em Lisboa, com o quinteto de Steve Lacy, com quem Steve Potts manteve uma longa colaboração.
 
Esse concerto destinava-se a assinalar, na altura, os seis anos do programa "Cinco minutos de jazz".
 
"Foi gravado com grandes dificuldades, porque éramos todos antifascistas, antissituacionistas, de esquerda, e o Salazar não deixava tocar música, dizia que era de pretos", recordou José Duarte à agência Lusa em 2012, quando o disco teve uma reedição, em CD, pela Trem Azul.