Cinemateca mostra filmes que documentaram a revolução de 1974

Cinemateca mostra filmes que documentaram a revolução de 1974

Filmes militantes, etnográficos, censurados, o cinema novo português e a emissão televisiva da RTP de 25 de Abril de 1974 integram o ciclo que a Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, dedica aos 40 anos da revolução.

"25 de Abril sempre - O movimento das coisas" tem início a 01 de abril com "Brandos costumes", de Alberto Seixas Santos, feito antes da revolução, mas só estreado em 1975, e "Deus, Pátria, Autoridade" (1975), documentário experimental de Rui Simões sobre o Estado Novo.

O ciclo da Cinemateca irá prolongar-se até maio, mostrando "o cinema documental feito em Portugal nos primeiros anos da revolução", como "Scenes from the class struggle in Portugal" (1977), de Robert Kramer, e "As paredes pintadas da revolução portuguesa" (1976), de António Campos.

Haverá também ficção de realizadores que já se tinham afirmado no movimento do novo cinema, antes da revolução, como José Fonseca e Costa ("O recado", 1971), António-Pedro Vasconcelos ("Perdido por cem...", 1972) e Ernesto de Sousa ("Dom Roberto", 1962).

Haverá ainda filmes "de registo mais militante", que querem "dar voz ao povo", ainda que estejam subordinados "a um discurso marxista e à crença na necessidade de tudo explicar", refere a Cinemateca em comunicado.

Entre estes estão, por exemplo, "A lei da terra" (1977), do coletivo Grupo Zero, sobre a reforma agrária, "Liberdade é nome de mulher" (1974), com Maria Antónia Palla a falar da condição da mulher, e "O aborto não é um crime" (1975), ambos pela cooperativa Cinequipa.

A vertente etnográfica e de registo das práticas populares revela-se com "Máscaras" (1976), de Noémia Delgado, "Continuar a viver - Os índios da meia praia" (1976), de António da Cunha Telles, sobre uma comunidade piscatória em Lagos, e "Trás-os-montes" (1976), de António Reis e Margarida Cordeiro.

No dia 25 de Abril, a Cinemateca mostrará "As armas e o povo" e "Caminhos da liberdade", feito por vários realizadores, e, em parceria com a RTP, recordará a cobertura televisiva e todas as imagens não montadas dos acontecimentos de 25 de Abril de 1974.