Centros históricos afetados pela crise, mas ainda alvo de aposta

Centros históricos afetados pela crise, mas ainda alvo de aposta

Os centros históricos, como a Baixa pombalina, em Lisboa, estão a sofrer com a crise, a nova lei do arrendamento ou as novas regras de faturação, mas há quem continue a apostar nestas zonas.
Na véspera do Dia Nacional dos Centros Históricos, o presidente da Confederação de Micro, Pequenas e Médias Empresas, João Pedro Soares, diz que a nova lei do arrendamento "está a pôr em causa a vivacidade" destas zonas.
No caso da Baixa, descreve, "a situação é trágica, porque as pessoas vão ter de aceitar a renda, sair já ou sair em cinco anos", apontando o desemprego e as ruas vazias como consequências do encerramento dos espaços comerciais.
Para João Pedro Soares, outro dos problemas para os pequenos comerciantes dos centros históricos são as novas regras de faturação, apontando o valor para a aquisição dos equipamentos e as multas no caso de não se passar fatura: "Pagar 3.000 euros podem arrumar de vez alguns pequenos negócios", admite.
O presidente da confederação aponta ainda como problemas a falta de estacionamento, a sujidade nas ruas, a "caça à multa" pela EMEL (Empresa Municipal de Estacionamento de Lisboa) e pela Polícia Municipal e a falta de segurança.
"Assim é impossível ter centros históricos competitivos e vivos", afirma João Pedro Soares.
Opinião diferente, mais otimista, tem o presidente da Associação para a Dinamização da Baixa Pombalina, Manuel Lopes.
"Apesar da crise que afeta o comércio em todo o país, no momento que passamos, a Baixa até está a reagir razoavelmente bem. Há novas empresas, de pequena dimensão, que estão a aparecer, a trabalhar com produtos que não havia, e a enriquecer a oferta que o consumidor", afirma.
Manuel Lopes destaca ainda o turismo em Lisboa, que "está a crescer com grande força", tal como o esforço de investimento na reabilitação urbana na zona, nomeadamente com a limpeza de algumas fachadas e a abertura de novos hotéis, como na Praça da Figueira, em edifícios que estavam degradados.
O líder da associação admite, no entanto, que "é preciso que a Câmara de Lisboa continue o seu trabalho", em particular de higiene e limpeza de ruas, mas também a conclusão de obras previstas para a zona, como o elevador da Rua dos Fanqueiros e a reabilitação do Arco da Rua Augusta.
Por outro lado, Manuel Lopes defende que "é preciso apostar em eventos que atraiam pessoas para a zona" e dá o exemplo da Figueira Market, uma feira de produtos portugueses que no último fim de semana de cada mês (desde o verão do ano passado) é montada na Praça da Figueira pela associação, com o apoio da autarquia.
Por seu turno, o especialista em comércio urbano João Barreta defende que "o futuro próximo dos centros históricos far-se-á, em boa parte, de regeneração urbana", do património, mas também pelas tradições e pela aposta na proximidade.
João Barreta, que está a desenvolver um estudo sobre o futuro dos centros históricos, afirma que "uma das vias possíveis de encarar o futuro dos centros históricos consiste em assumir a adoção de lógicas de mercado que os promovam junto dos públicos-alvo", enaltecendo "fatores de sucesso" como a "atratividade, competitividade, habitabilidade e a visibilidade".