Centro Ciência Viva dá lugar a Oficina de Ciência de Sintra

Centro Ciência Viva dá lugar a Oficina de Ciência de Sintra

O Centro Ciência Viva de Sintra, que fazia parte da rede nacional de centros Ciência Viva, deu lugar à Oficina de Ciência de Sintra.Em comunicado, a  Câmara de Sintra revela que assume a gestão do equipamento de"forma a inverter a progressiva degradação do funcionamento do espaço que estava a cargo da Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica".A primeira medida adoptada é voltar a abrir o espaço, todos os dias, invertendo a decisão da Ciência Viva de manter o equipamento fechado às segundas, terças e quartas-feiras.Apesar da Ciência Viva ser a entidade responsável pela sua gestão do espaço, o edifício, um investimento camarário superior a 2,6 milhões de euros, e todas as despesas de funcionamento em 2017 foram da responsabilidade do município de Sintra, revela o município.

 

Toda a programação e equipamentos científicos vão manter-se em funcionamento, estando a autarquia a preparar um novo modelo de financiamento e uma nova estratégia para o período 2018/2020.A autarquia vai também solicitar um relatório financeiro e das actividades dos últimos anos de gestão deste equipamento.

LusaO Centro Ciência Viva de Sintra perdeu a credenciação, devido ao “incumprimento das obrigações” por parte da autarquia que levaram ao seu “profundo estado de abandono”, anunciou em comunicado a instituição que credencia estes centros de divulgação científica.
 
A “falta de diálogo e colaboração” da Câmara de Sintra e de zelo da autarquia pelo “bom funcionamento” do espaço, “património municipal”, nomeadamente em termos de “pequenas obras exteriores” e renovação de exposições, foram os incumprimentos invocados à agência Lusa pela presidente da Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, Rosalia Vargas.
Refutando o incumprimento de obrigações imputado, o vice-presidente da Câmara de Sintra, Rui Pereira, alegou que a autarquia financiava o centro sem participar na sua gestão. “Em 2017, demos o financiamento necessário e a agência [Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica] deu zero cêntimos”, acusou.
O Centro Ciência Viva de Sintra tinha como membros associados a Câmara Municipal de Sintra, a Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica e o Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, que formavam a Associação Centro Ciência Viva de Sintra.
Segundo Rui Pereira, uma lei de 2012 impedia os municípios de financiarem entidades em que participavam. A lei foi revogada em 2016, permitindo aos municípios financiarem entidades nas quais têm uma posição dominante em termos de gestão, o que, de acordo com o vereador sintrense, não acontecia com o Centro Ciência Viva de Sintra. “Propusemos a alteração dos estatutos da associação para que o Centro Ciência Viva tivesse um enquadramento legal, mas não foi aceite”, afirmou Rui Pereira.
O Centro Ciência Viva de Sintra, que fazia parte da rede nacional de centros Ciência Viva, deu lugar à Oficina de Ciência de Sintra, com vários membros associados do concelho, incluindo o município. O seu modelo de financiamento está a ser estudado, segundo o autarca.
Nos últimos quatros anos, a direcção do Centro Ciência Viva de Sintra mudou três vezes, duas das quais a pedido dos membros, provenientes do Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier.
A presidente da Ciência Viva, Rosalia Vargas, justificou as demissões com “a dificuldade de diálogo” com a Câmara de Sintra.
Respondendo ao eleito da Câmara de Sintra, Rosalia Vargas advogou que as autarquias “são responsáveis pelo financiamento dos centros” Ciência Viva e que a Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica “sempre contribui, na medida das suas possibilidades, para os planos de actividade e orçamento” dos centros Ciência Viva.
A Agência Nacional retirou a credenciação ‘Ciência Viva’ ao equipamento de Sintra depois de uma “avaliação independente” realizada por uma comissão formada por académicos. 
“De acordo com os resultados da referida avaliação, a Ciência Viva considerou que se encontravam em causa os pressupostos de qualidade que estiveram na origem da sua adesão ao projecto do Centro Ciência Viva de Sintra”, assinala a  Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica no comunicado.
 
Lusa