Carsharing: No partilhar é que está o ganho

Carsharing: No partilhar é que está o ganho

Em tempos de poupança, empresas e cidadãos querem cortar nas despesas associadas à manutenção de um carro próprio, sem abdicar da mobilidade, encarando a partilha de viatura em modelo 'carsharing' como solução.
O 'carsharing' consiste num aluguer de curta duração em que o utilizador paga em função das horas gastas e quilómetros percorridos.
Para Lourenço Simões esta é, desde 2008, a solução que mais se adequa às necessidades da empresa de informática onde trabalha.
“Como fazemos consultoria precisamos de um carro para ir a reunião com clientes e esta é a melhor alternativa à compra de um carro. Como a nossa utilização não é intensiva, não víamos grande vantagem em comprar um carro da empresa e estar a pagar 200 ou 300 euros em ‘leasing’ ou em ‘renting’”, explica.
Além disso, “todas as despesas que há com um carro próprio são inexistentes, já que o serviço inclui gasolina, estacionamento, manutenção e selos”.
Gastando semanalmente cerca de quatro horas - o suficiente para as deslocações entre Lisboa e Oeiras onde decorrem as reuniões - o custo do serviço não ultrapassa os 30 euros por semana, ao que se junta uma anuidade de 100 euros, e está disponível para qualquer funcionário da empresa.
“Quem usa [o cartão] é a empresa, não é o funcionário”, adianta Lourenço Simões.
Camila Garcia veio de Fortaleza para estudar em Lisboa e, não tendo carro próprio, optou pelo 'carsharing' há um ano “numa perspetiva utilitária”.
Decidiu não comprar um automóvel “por causa do custo”, mas também devido “ao congestionamento” da cidade, preferindo usar transporte público.
Recorre ao 'carsharing' sobretudo quando precisa de ir às compras e transportar grandes volumes e mais raramente por motivos de lazer.
No total, faz cerca de duas utilizações mensais, pagando uma anuidade (25 euros para particulares, 50 para famílias e 15 euros para as entidades que têm protocolos com o Mob Carsharing) e as taxas por hora e por quilómetro associadas à viatura.
Camila Garcia acredita que, apesar de haver ainda “uma resistência muito grande por parte da população em abrir mão do conforto e da conveniência de ter o veículo próprio à porta de casa”, o nível de utilização de ‘carsharing’ pode aumentar se houver mais campanhas de divulgação.
A crise também pode ajudar a mudar mentalidades.
“Se as pessoas colocarem no papel o custo que é ter um veículo próprio, em muitos casos é bem mais conveniente e bem mais barato aderir a um serviço de ‘carsharing’ do que ter um veículo próprio”, enfatizou.
Para o serviço ir mais longe só falta aumentar o número de parques onde os carros estão disponíveis e alargar a frota, afirma Camila Garcia, acrescentando que “seria útil” se o veículo não precisasse de regressar ao ponto de partida depois de cada utilização.
O portuense Pedro Barreira optou pelo ‘carsharing’ para uma utilização familiar.
“Acho que é interessante como alternativa a uma segunda ou terceira viatura que está parada na garagem e que só é utilizada pontualmente”, afirmou à Lusa.
Foi atraído pela “facilidade de poder usufruir de uma viatura a qualquer hora, de uma forma extremamente simples” sem se preocupar com os custos inerentes ao carro próprio.
“Se tivermos uma viatura na garagem que usamos só ao fim de semana temos de pagar o seguro, temos de pagar impostos, temos de pagar a amortização da viatura”, exemplificou, considerando que o ‘carsharing’ é uma solução mais económica.
“A viatura é alugada ‘chave na mão’, não temos de pôr gasolina, não temos de nos preocupar com nada. É entrar e pôr a chave a funcionar”, disse Pedro Barreira, que acha que só não há mais utilizadores porque muitos ainda não conhecem o serviço.