Cáritas pede que donativos só sejam dados a voluntários identificados

Cáritas pede que donativos só sejam dados a voluntários identificados
O presidente da Cáritas apelou hoje aos portugueses para apenas oferecerem o seu donativo no peditório a voluntários identificados pela instituição, para evitar que “pessoas sem escrúpulos” se aproveitem destas ações de recolha de fundos.
Inserido na Semana Nacional da Cáritas, sob o lema “Fé comprometida. Cidadania ativa”, que decorre até domingo, o peditório tem início na quinta-feira, com mais de 5000 voluntários espalhados pelo país.
 Em declarações à agência Lusa, Eugénio Fonseca pediu aos portugueses que “não ofereçam o seu donativo se o voluntário não tiver a caixa com o símbolo da Cáritas e um crachat com a sua identificação”.
“É preciso ter muito cuidado porque, muitas vezes, há pessoas sem escrúpulos que se aproveitam destas circunstâncias para, em nome das entidades que realizam estas ações de recolha de fundos, se aproveitarem delas”, advertiu.   
Segundo Eugénio Fonseca, esta prática tem vindo a acontecer há alguns anos. 
”Nem sempre [acontece] nos dias em que se realiza o peditório, mas já tem acontecido, ao longo do ano, aparecerem-nos denúncias de situações que são efetivamente de reprovar”, sublinhou.
Perante uma situação destas, os contribuintes têm o dever de “exigir prova junto de quem pede” e questionar as condições em que estão a realizar aquela ação.
As verbas angariadas no peditório irão reverter a favor dos diferentes projetos sociais das Cáritas Diocesanas do país, para responder ao “aumento contínuo dos pedidos” à instituição. 
“As mesmas pessoas estão a vir mais vezes ao atendimento e a solicitar mais apoios”, disse Eugénio Fonseca.
Também está a subir o número de novos utentes, em paralelo com o aumento do desemprego, a “causa principal de situação de carência das pessoas hoje, em Portugal”.
Esta situação está a causar dificuldades às instituições na capacidade de resposta.
“A Cáritas nunca teve capacidade de responder a todos os pedidos, sobretudo a nível dos recursos financeiros. É preciso ter em conta que, antes de entrarmos nesta espiral de carência, já éramos um país que tinha problemas sérios de pobreza”, disse Eugénio Fonseca, lembrando que, quando Portugal entrou nesta crise, 17,9 por cento da população vivia em situação de pobreza.
 “Nestas condições, e num país assim, nunca as instituições de solidariedade social conseguem responder cabalmente às solicitações que lhe são apresentadas, nem todas as pessoas conseguem ver resolvidos os pedidos que fazem”, sublinhou.
  Com o afluxo maior de pedidos, a Cáritas está a ter dificuldades, a nível dos recursos humanos, “e, infelizmente, nalgumas zonas, já temos listas de espera, o que não acontecia em Portugal”, lamentou Eugénio Fonseca.
A prioridade atual da instituição é fazer com que não faltem os cuidados essenciais a quem a procura, nomeadamente alimentação, cuidados de saúde e habitação.
“Mas estamos a ter muitas dificuldades para conseguir assumir este desejo, que tem a ver com os direitos humanos. Neste momento, há gente que está a ver os seus direitos inalienáveis da sua condição de seres humanos a serem postos em causa quotidianamente”.
Em 2012, mais de 56 mil famílias e 158 mil pessoas particulares solicitaram apoio à instituição.
Relativamente a 2011, a Cáritas registou um aumento de cerca de 60% das situações de emergência social.