Cardiologistas incentivam portugueses a optar pela dieta mediterrânica

Cardiologistas incentivam portugueses a optar pela dieta mediterrânica

O presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC) apelou hoje aos portugueses para optarem pela dieta mediterrânica, a “alimentação mais saudável do mundo” e que ajuda a evitar doenças cardiovasculares, a obesidade, a diabetes e o cancro.
Para esclarecer a população, a Federação Portuguesa de Cardiologia apresenta hoje, no âmbito da iniciativa “Maio mês do coração”, uma campanha de sensibilização da dieta mediterrânica como “estilo de vida e padrão alimentar promotor de saúde”.
A Fundação defende que “é imperiosa” uma “mudança radical nos hábitos de vida não saudáveis”, sobretudo “quando o Governo gasta cada vez mais dinheiro no tratamento de doenças que são em grande parte evitáveis”.
Essa mudança passa pela adoção da dieta mediterrânica, que ajuda a prevenir as doenças cardiovasculares devido aos uso quase exclusivo do azeite e à “complexidade nutricional desta dieta”, rica em fibras e antioxidantes derivados de vegetais e legumes e ao consumo baixo e pouco frequente de carnes vermelhas e laticínios.
“Os países ricos da Europa do norte adoram a dieta mediterrânica e os Estados Unidos consideram-na o padrão alimentar ideal. Em Portugal, não reconhecemos isso de uma maneira muito clara” e “estamos a ceder um bocadinho a outro tipo de alimentação, que não é tão saudável para o coração”, disse à agência Lusa o presidente da FPC.
Para Manuel Carrageta, este tipo de alimentação, que "promove os produtos portugueses", feita à base de produtos hortícolas, peixe, vinho, pão de trigo e outros cereais, “ajuda a evitar a obesidade, as doenças do coração, a diabetes e o cancro”. 
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Portugal, são responsáveis por cerca de um terço dos óbitos, seguindo-se o cancro, responsável por um quinto das mortes, elucidou.
Manuel Carrageta lembrou que Portugal tem uma candidatura à UNESCO para que a dieta mediterrânica seja considerada Património Imaterial da Humanidade.
Para o especialista, a aprovação desta candidatura trará benefícios para saúde dos portugueses, mas também para a economia, nomeadamente para a restauração e para os produtores agrícolas.
A FPC alerta que o consumo de gordura elevado, pouco exercício físico e o elevado consumo de tabaco são “ingredientes mais do que suficientes para justificar os números elevados de mortalidade cardiovascular”.
Em Portugal, 70% da população tem colesterol elevado, 20% é fumadora ou obesa, 40% é hipertensa e a maioria é sedentária, segundo dados da FPC, que indicam ainda que Portugal é o país da União Europeia com menos praticantes de atividade física.