Câmara de Lisboa tem 90 dias para divulgar estacionamento alternativo no eixo central

Câmara de Lisboa tem 90 dias para divulgar estacionamento alternativo no eixo central
A Câmara de Lisboa aprovou, por unanimidade, uma moção apresentada pelo CDS-PP que visa a divulgação, dentro de 90 dias, das alternativas para os moradores face à redução de estacionamento com a reabilitação do eixo Saldanha/Picoas.
 
Através do documento, a que agência Lusa teve acesso, a Câmara de Lisboa compromete-se a informar os moradores, dentro de 90 dias, dos tarifários “negociados para os parques de estacionamento privados de uso público”, que substituirão os lugares gratuitos eliminados, e a apresentar aos residentes e comerciantes “o planeamento da execução de empreitada”.
 
A autarquia admite também incluir no projeto “considerações e propostas […] resultantes dos diferentes contributos” e realizar “uma sessão pública para apresentar as ideias, alterações e benfeitorias integradas no projeto”.
 
No início de setembro, a aâmara aprovou a contratação de uma empreitada por 9,4 milhões de euros para reabilitar o “eixo central da cidade”, nas avenidas da República e Fontes Pereira de Melo, e que assenta em mais espaços verdes, ciclovias e passeios mais largos, no âmbito do programa “Uma praça em cada bairro”.
 
A empreitada está em concurso até 18 de novembro e a Câmara espera adjudicá-la no início de 2016.
 
Segundo o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, existem 353 lugares à superfície neste eixo e, depois desta obra, passarão a existir 272.
 
Em declarações à Lusa, o centrista João Gonçalves Pereira frisou que, além do estacionamento, há outros “pontos muito preocupantes” como a circulação automóvel e o espaço para o peão.
 
Ainda assim, fez um “balanço positivo” dos compromissos hoje assumidos: “Se não tivéssemos levantado estas questões, hoje os comerciantes e os moradores não tinham estas garantias”.
 
Na reunião camarária privada, foi também aprovada – com voto contra do PCP, abstenção do PSD e CDS e votos favoráveis do PS e Cidadãos Por Lisboa (eleitos nas listas socialistas) – a delimitação da unidade de execução de Alcântara Nascente, que abrangerá as avenidas da Índia, Brasília, 24 de Julho e as ruas do Cais de Alcântara e de Cascais.
 
Grande parte desta unidade de execução refere-se à construção de um hospital do grupo José de Mello Saúde, prevendo-se também um novo jardim e alterações na estrutura viária.
 
Mudanças que, segundo o vereador comunista Carlos Moura, só vêm “satisfazer a vontade da própria unidade hospitalar”, já que o jardim poderá não ser público e haverá “reperfilamento de ruas, alterações de sentido e desvios de transportes”.
 
Na sessão, foi ainda aprovada – com abstenção do PSD, PCP e CDS-PP – a autorização de pagar 46 milhões de euros à Sociedade de Construções Bernardino Soares por um litígio decorrente da alienação de terrenos no Vale de Santo António.
 
António Prôa, PSD, disse estar “preocupado” com o futuro deste local: “Os terrenos agora voltam à posse do município e são o património mais valioso da câmara neste momento”, tendo “um potencial muito grande em termos de alienação”.
 
Já as propostas sobre a reabilitação da Praça do Império, da zona sul do jardim do Campo Grande e do Pavilhão Carlos Lopes, bem como as que dizem respeito à nova Feira Popular de Lisboa em Carnide foram adiadas para a reunião extraordinária privada de sexta-feira.