Câmara de Lisboa quer requalificar antigas áreas industriais de Alcântara

Câmara de Lisboa quer requalificar antigas áreas industriais de Alcântara
A Câmara de Lisboa debate na quarta-feira uma proposta para requalificar as antigas áreas industriais de Alcântara, tendo em vista a instalação de serviços e a criação de espaços verdes junto ao rio.
 
Em causa está a delimitação da Unidade de Execução de Alcântara Nascente, que abrangerá o eixo viário constituído pela Avenida da Índia, linha férrea, Avenida Brasília e nó de Alcântara (a sul), a Avenida 24 de Julho (a norte e a nascente) e as ruas do Cais de Alcântara e de Cascais (a poente), freguesia da Estrela, numa área intervenção de 47.852,55 metros quadrados.
 
De acordo com a proposta assinada pelo vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, o objetivo é “requalificar as antigas áreas industriais maioritariamente em desuso, criando condições para a fixação de atividades terciárias prestigiadas”.
 
Grande parte desta unidade de execução, onde se encontram edifícios afetos a serviços camarários, será ocupada por um hospital privado do grupo José de Mello Saúde.
 
O terreno em causa, conhecido como “triângulo dourado”, tem uma área de 20.763,48 metros quadrados e foi vendido em hasta pública, em janeiro, por 20.350.001 euros.
 
Através desta unidade de execução a autarquia quer, ao mesmo tempo, reabilitar “os espaços públicos existentes […], garantindo a continuidade do corredor verde entre a rotunda de Alcântara e o rio e estabelecer formas de proximidade à frente ribeirinha”.
 
Outros dos objetivos são “promover a adequada recuperação dos solos, mediante a eventual descontaminação”, “assegurar as condições de concretização do Plano Geral de Drenagem da cidade e promover uma eficaz infraestruturação do sistema de drenagem de águas pluviais superficiais e subterrâneas” e ainda “racionalizar a rede viária de âmbito local e o sistema de transportes adaptando-os às novas funções urbanas previstas para a área”, lê-se na proposta.
 
Neste âmbito, está previsto o reordenamento das avenidas 24 de Julho e da Índia e da Rua de Cascais e a criação de um parque de estacionamento reservado para residentes com capacidade de 200 lugares.
 
Prevê-se também a instalação de um jardim, a definição de espaços verdes exteriores, percursos pedonais e arborização bem como a requalificação da passagem pedonal entre a linha de Cascais e a Avenida Brasília.
 
Também na reunião de quarta-feira, que decorre à porta fechada, o executivo municipal discute uma proposta para pôr fim ao “litígio decorrente do processo de alienação de um conjunto de terrenos sitos no Vale de Santo António”, na Penha de França, promovido em 2004 pela Empresa Pública de Urbanização de Lisboa (EPUL).
 
Como a empresa foi extinta no final de 2014, as obrigações passaram para o município.
 
Por isso, a autarquia terá de devolver 44,7 milhões de euros à Sociedade de Construções Bernardino Soares, valor que havia sido pago pela aquisição (por contrato-promessa) de um terreno e três lotes e cuja efetivação estava dependente de um plano de urbanização que só seria aprovado mais tarde. A este valor acrescem 1,3 milhões em juros.