Câmara de Sintra inicia na próxima semana limpeza de derrocada no Cacém

Câmara de Sintra inicia na próxima semana limpeza de derrocada no Cacém
Quase três semanas depois da derrocada de terras e pedras junto de três prédios no Cacém, em Sintra, há moradores que ainda aguardam pela limpeza do local, que o presidente da câmara promete começar na próxima semana.
 
“As máquinas começam na segunda-feira e, numa primeira fase, vão ser retirados 2.400 metros cúbicos [m3] de terras e de pedras e realizados trabalhos de estabilização do muro”, explicou à agência Lusa o presidente da autarquia, Basílio Horta (PS).
 
A Proteção Civil de Sintra evacuou por precaução, a 20 de novembro, os números 12, 10 e parte do 8 da Rua de São Tomé e Príncipe, no Cacém, quando um muro de suporte de terras ameaçava ruir, o que aconteceu durante a noite.
 
Um primeiro deslizamento ocorreu pelas 20:15, mas após a meia-noite, quando os moradores já tinham sido retirados, ocorreu uma segunda queda de terras e pedras de um terreno nas traseiras dos edifícios.
 
Das 22 famílias desalojadas, oito foram realojadas com o apoio da Câmara de Sintra e da Segurança Social em Belas.
Uma vistoria municipal concluiu que os prédios “não foram afetados na sua estrutura” e que podiam regressar a casa quase todas as famílias, com exceção dos moradores no rés-do-chão e 1º andar do n.º 12 e no rés-do-chão e cave do n.º10.
 
“Desde 20 de novembro que estou fora de minha casa e isto é muito desgastante”, lamentou Conceição Franco, residente no rés-do-chão do n.º 12.
 
A moradora queixou-se de que “o tempo vai passando e aumenta a saturação” por ter de recorrer ao alojamento em casa de familiares.
 
“Tenho encostado à parede dos quartos o resto da muralha. Tenho medo de que o resto do muro venha por ali abaixo”, admitiu Maria Amália, do primeiro andar do n.º 12, acrescentando que o deslizamento também lhe partiu a parede e a marquise na zona da cozinha.
 
Outro morador, João Cardoso, contou que a derrocada “rebentou com a marquise e as terras ficaram [depositadas] à porta”, mas não pode usar o apartamento no rés-do-chão porque não tem gás.
 
Enquanto seis famílias aguardam pela prometida limpeza dos escombros, Basílio Horta esclareceu que a intervenção, com início na segunda-feira, “permite às pessoas voltarem às suas casas em segurança”.
 
“Depois, eventualmente, é necessário fazer uma estabilização definitiva e isso vai obrigar a outro tipo de obras”, frisou o presidente da autarquia, estimando que a limpeza fique concluída “em quatro semanas”.
 
A empreitada da primeira fase vai orçar “em 65 mil euros, mais IVA [Imposto sobre o Valor Acrescentado]” e consiste na remoção de 1.900 m3 de terras e de 500 m3 de blocos de betão, assim como na criação de um sistema de drenagem de águas pluviais.
 
Só após esta primeira intervenção será possível identificar os trabalhos finais da estabilização definitiva do talude, informa a autarquia.
 
“Aquele muro pertence, segundo documentação na posse da câmara, aos coproprietários de toda aquela área. Aquilo foi um projeto de urbanização que contemplava o muro”, afirmou Basílio Horta, notando que “cada coproprietário tem uma fração correspondente a parte do muro”.
 
O autarca salientou que a câmara, “desde 2007, andava a dizer para fazerem obras de manutenção, que não foram feitas”, mas para já a autarquia vai avançar com a limpeza e a estabilização do talude para “as pessoas poderem voltar para as suas casas”.
 
Maria Amália revelou que, em agosto de 2011, a câmara notificou o condomínio para o risco de derrocada do muro, mas com base nas cadernetas prediais foi respondido que “a responsabilidade pela reparação era do proprietário do terreno”.
 
Para já, Maria Amália confirmou que fiscais municipais notificaram hoje os proprietários de que vão ser realizadas “obras de emergência” e adiantou que as seguradoras também já pediram informações sobre os apartamentos afetados pela derrocada.