Câmara de Oeiras oferece vales de compras a trabalhadores do lixo noturno

Câmara de Oeiras oferece vales de compras a trabalhadores do lixo noturno

A Câmara de Oeiras decidiu oferecer vales de 20 euros em compras em supermercado aos trabalhadores da recolha do lixo em horário noturno, uma medida cuja legalidade foi hoje questionada pela oposição.
Os deputados do Bloco de Esquerda (BE), PS e CDU, questionaram hoje em reunião de Assembleia Municipal a legalidade dos vales de 20 euros distribuídos apenas aos funcionários da recolha do lixo que trabalham à noite e não aos que trabalham durante o dia.
"Os trabalhadores que recolhem o lixo durante o dia, esses que são quem têm os trabalhos mais duros, não recebem vales? Porquê?", questionou Miguel Pinto, do BE.
Por seu lado, Daniel Branco, da CDU, concordou com o incentivo aos trabalhadores por terem salários baixos, mas alertou para um "comportamento que não é legal".
Já o PS, quis saber qual a razão do executivo "ter optado por um vale de compras em dinheiro num supermercado específico e não pelo reforço da ceia".
"Vamos apresentar um requerimento para termos acesso aos elementos de modo a verificar a fonte pela qual foram adquiridos os vales de compras", informou o deputado socialista Pedro Sá, sublinhando que, pela lógica do executivo, então outros trabalhadores da autarquia com salários baixos e dificuldades económicas também deveriam receber a mesma contrapartida.
Em resposta às questões levantadas e suspeitas de ilegalidades, o presidente da Câmara de Oeiras disse que não pode admitir que haja casos de fome entre os funcionários da autarquia.
"Assumo todas as ilegalidades e irregularidades se souber que algum funcionário desta autarquia passa fome. Ponho os meus princípios humanistas à frente dos princípios legais", afirmou Paulo Vistas.
O autarca esclareceu que depois de ter sido retirado o subsídio das horas extraordinárias aos trabalhadores em horário laboral noturno, o executivo quis reforçar o apoio alimentar a esses funcionários.
"A câmara já distribuía uma ceia aos funcionários da noite, mas houve a necessidade de reforçar esse apoio alimentar e o contributo da câmara passou por oferecer aos trabalhadores estes vales de compras e decidimos privilegiar o apoio a quem desempenha funções em horário laboral noturno. Não tenho qualquer problema em explicar isto até à exaustão", concluiu Paulo Vistas.