Câmara da Amadora retoma demolições no Bairro de Santa Filomena

Câmara da Amadora retoma demolições no Bairro de Santa Filomena

 

A Câmara da Amadora derrubou hoje seis mais habitações do bairro ilegal de Santa Filomena, num processo que vai continuar até à demolição total do bairro e que alguns moradores contestam. 
A polícia cercou hoje o acesso ao bairro, a partir das 08:00, para que os trabalhadores do município dessem inicio à demolição de habitações e à retirada dos bens que se encontravam dentro de duas delas, que ainda se encontravam habitadas.
Cerca de duas dezenas de polícias impediam o acesso de moradores ao local das demolições, enquanto uma retroescavadora procedia à demolição de habitações. Alguns dos moradores do bairro encontravam-se naquele espaço, mas não foram registados quaisquer desacatos. 
De acordo com Eurico Cangumbi, da comissão de moradores do bairro, a polícia e os trabalhadores da câmara "chegam ao bairro e aproveitam o facto de as pessoas não estarem nas casas" para darem início aos trabalhos de demolição.
"Numa das casas demolidas hoje, os donos foram trabalhar cedo e a polícia chegou cá e aproveitou a ausência deles para arrombar a porta. Tiraram tudo de casa e quando os donos chegarem não vão encontrar nada", disse o morador à agência Lusa.
Eurico Cangumbi criticou ainda a Câmara da Amadora por "não apresentar alternativas justas" aos moradores que se encontram fora do Programa Especial de Realojamento (PER).
"A solução da câmara não é uma solução. Pagam um mês de caução e um mês de renda, mas as pessoas são pobres e depois não conseguem continuar a pagar as rendas", disse.
Em declarações à agência Lusa, a vereadora do município da Amadora com o pelouro da Habitação Social, Carla Tavares, disse que esta é a terceira fase do processo que teve início há dois anos e que culminará com a demolição total do bairro, dentro de dois anos.
A vereadora e vice-presidente da câmara acrescentou que desde o início do processo já foram demolidas 192 construções ilegais e que faltam demolir 251, das quais 158 são de agregados familiares inscritos no Programa Especial de Realojamento e outras são de ocupação ilegal.
Carla Tavares adiantou que o município não vai construir mais bairros sociais e que as soluções de alojamento têm sido encontradas através da aquisição de imóveis no mercado livre imobiliário 
"Este ano já gastámos 1,7 milhões de euros na aquisição de imóveis. Temos feito todas as diligências no sentido de que todas as pessoas não fiquem sem teto, mesmo em situações em que se recusaram a qualquer tipo de ajuda na procura de alternativas", disse.
Carla Tavares adiantou que o tribunal da Amadora rejeitou as providências cautelares interpostas pelos moradores, que tentaram pela via judicial impedir a demolição das habitações.