Brasileiros compensam falta de nadadores-salvadores em Portugal

Brasileiros compensam falta de nadadores-salvadores em Portugal
A época balnear está a começar "sem problemas" na colocação dos meios de salvamento, registando-se uma procura das praias portuguesas por nadadores-salvadores brasileiros, segundo o diretor do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN).
 
"Não recebi uma única informação de falta de nadadores-salvadores", afirmou à agência Lusa Paulo Sousa Costa.
 
A maioria das zonas balneares abre no mês de junho, que se inicia na quinta-feira.
 
Segundo o responsável, são necessários cerca de 1.900 nadadores-salvadores para assegurar a vigilância quer em praias marítimas, quer em praias fluviais, e existem nadadores-salvadores "em número suficiente".
 
Aos 5.241 com certificação em dia, acrescem os 608 nadadores formados nos 48 cursos realizados este ano e outros 650 deverão ser ainda certificados nas 37 formações que estão a decorrer.
 
Para colmatar "eventuais faltas", o ISN deverá estabelecer, ainda este ano, uma parceria com a entidade congénere brasileira, face ao "número crescente" de nadadores-salvadores brasileiros que procuram as praias portuguesas.
 
"Temos brasileiros que querem vir trabalhar porque o inverno deles é o nosso verão e, como de inverno não têm trabalho, querem vir para Portugal", referiu.
 
Na praia do Alvor, Portimão (distrito de Faro), os nadadores brasileiros ultrapassam uma dezena nesta época balnear.
 
Pela primeira vez, as praias dos Pescadores (Albufeira), Morena (Almada) e outra em Matosinhos vão ser dotadas de torres elevadas de vigilância para permitir aos nadadores-salvadores, "a partir de um ponto mais elevado, terem uma melhor visibilidade da praia".
 
O projeto-piloto pode vir a ser estendido a mais praias do país na próxima época balnear.
 
Os meios de salvamento são complementados por boias salva-vidas em 265 praias, 31 cadeiras de vigilância, 16 motos todo-o-terreno, seis motos de água, meios das estações salva-vidas e 28 carrinhas para percorrer as praias não vigiadas.
 
"Sensivelmente são os mesmos meios [da época balnear anterior], que têm demonstrado serem suficientes face aos resultados que temos", disse o diretor do ISN, sublinhando que as praias portuguesas são visitadas por 75 milhões de pessoas.
 
"Se formos ver a mortalidade, em 2016 morreram três pessoas por afogamento", apontou.
 
Pela primeira vez, a praia de Benagil, praia não vigiada do concelho algarvio de Lagoa, vai ser dotada de uma mota de água apoiada por um nadador-salvador, ao abrigo de uma parceria entre ISN, a Capitania de Portimão e a câmara municipal.
 
"Há muita gente que vai nadar para a gruta de Benagil, mas depois não consegue regressar e muitas vezes temos de destacar os tripulantes das estações salva-vidas", justificou.
 
Tendo em conta que este ano morreram 21 pessoas nas praias antes da época balnear, mais do que reforçar os meios, Paulo Sousa Costa defendeu que é necessário que os banhistas adotem uma "cultura de segurança", motivo pelo qual as campanhas de sensibilização têm vindo a ser reforçadas.