Bombos, ranchos e dança lusófona animam Martim Moniz

Bombos, ranchos e dança lusófona animam Martim Moniz
Uma arruada de bombos e de ranchos folclóricos, música e dança lusófona a entrar pelos restaurantes e vários espetáculos vão preencher sábado a 16.ª edição do Festival Musidanças, que decorrerá no Martim Moniz, em Lisboa.
   
O festival, que se centrará ao longo de 12 horas no Mercado de Fusão, naquela zona do centro da capital portuguesa, tem por lema "Tradição e Urbanidade" e envolverá cerca de 200 artistas, tantos quantos os participantes nas 15 edições anteriores.
 
O promotor da iniciativa lançada em 2001, o músico e cantor angolano Firmino Pascoal destacou a presença do grupo Toca a Rufar, um dos quatro presentes, de conjuntos de percussão e dança portugueses e africanos e de bandas de "folk" luso, "hip hop" e kizomba.
 
Segundo Firmino Pascoal, 62 anos, natural de Luanda e que reside em Portugal há 41 anos, o festival, que decorrerá entre as 10:00 e as 22:00, visa mostrar a música e a dança da Lusofonia e a sua evolução, bem como promover e incentivar o trabalho dos artistas de origem portuguesa.
 
O organizador do Musidanças lembrou que o Festival surgiu da necessidade de dar voz e corpo a uma série de eventos pouco divulgados nos primórdios da década de 2000, sobretudo depois de, em 2000, ter concluído um trabalho discográfico, "Bantu", que só seria editado em CD dez anos mais tarde.
 
O trabalho do então grupo que liderava, o Lindú Mona, com música tradicional angolana, teve pouca visibilidade, razão que levou Firmino Pascoal, em conjunto com outros artistas, a promover um festival para divulgar o seu trabalho - publicaria o CD "Rosa Afra" em 2002 - e o de outros.
 
Firmino Pascoal já um "veterano" da música em Portugal, pois, na décadas de 1970 e de 1980, esteve na origem do rock sinfónico português, como, por exemplo, na formação dos grupos de rock Tantra e Perspetiva, depois de participar em coros religiosos e académicos.
 
Com poucos meios financeiros e quase sem patrocinadores, Firmino Pascoal garantiu à Lusa que a realização anual do festival "sai do orçamento familiar", contando, porém, com o apoio dos artistas participantes, que não cobram "cachet" e que se deslocam a Lisboa a expensas próprias.
 
Questionado pela Lusa sobre se a persistência é divida à paixão ou à teimosia, Firmino Pascoal admitiu que as duas se juntam - "há uma paixão pela música e uma teimosia para divulgar o que não é dado a conhecer".
 
No festival participam grupos, bandas e artistas como Toca a Rufar, Tradibombos, Bunga Ritmos, Batucando, Rufar a Bombar, Very Important Dancers, Casa do Povo de Corroios, Ritta Tristany, Dr. Phi, Estraca, Bob Figurante, Monte Real, Paulo Ney, Kalonga Selemane, Permacultura, Lindu Mona, Sax on the Road, Carlos Clara Gomes, Jorge Rosa e Francisco Naia.