Bombeiros de Sacavém mantêm protestos

Bombeiros de Sacavém mantêm protestos

 

A Liga dos Bombeiros e a Associação Portuguesa de Bombeiros Voluntários manifestaram-se disponíveis para ajudar a mediar o conflito existente na corporação de Sacavém (Loures), onde um grupo de bombeiros exige a demissão da direcção.
Mais de metade dos bombeiros voluntários de Sacavém iniciou em 26 de junho uma greve ao serviço de socorro e só admite voltar ao serviço com uma nova direcção.
Nos últimos dois dias, o grupo contestatário tem organizado acções de protesto, tendo outra prevista para esta noite.
Por seu turno, a direcção dos Bombeiros Voluntários de Sacavém, liderada por António Pedro, nega qualquer intenção de se demitir e diz que pretende continuar com os projectos em curso, sublinhando que “o descontentamento é focalizado num grupo especifico, que quer tomar o comando”.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da Liga de Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, manifestou-se preocupado com a situação vivida no quartel de Sacavém e criticou a forma encontrada pelos bombeiros voluntários para mostrar o seu descontentamento.
“Creio que estas situações devem ser sempre resolvidas com bom senso, trazer os problemas para a praça pública só serve para os agudizar. Aquilo que se tem passado em Sacavém não credibiliza em nada a imagem dos bombeiros e da própria corporação”, afirmou o responsável.
Jaime Marta Soares advertiu ainda que a liga não pode ter uma interferência directa no conflito, mas que, caso seja solicitada, estará disponível para ajudar a criar espaços de diálogo.
“É essencial que o bom senso impere. As estruturas devem funcionar e a direcção e o comando devem sentar-se à mesa para dialogar e encontrar uma solução”, defendeu.
A mesma disponibilidade foi demonstrada pela Associação Portuguesa de Bombeiros Voluntários, que realçou a importância de resolver o conflito “o mais rapidamente possível”.
“A instabilidade que se vive no quartel, sobretudo no que diz respeito aos elementos de comando, preocupa-nos muito. A área de actuação de Sacavém é muito grande e parte do socorro tem estado a ser assegurado pelas corporações vizinhas de Alverca e Póvoa de Santa Iria”, referiu à Lusa o vice-presidente da associação, António Calina.
No entender do responsável, mais importante do que saber qual das partes tem razão é tentar dialogar para chegar a um consenso.
“Aquilo de que temos a certeza é que esta situação não se pode prolongar por mais tempo. Caso esse seja o entendimento das partes e se formos solicitados para tal, estaremos disponíveis para mediar a situação”, afirmou.
O movimento de bombeiros voluntários de Sacavém que exige a demissão da direcção realiza hoje uma marcha de protesto em três freguesias servidas pela corporação, disse à agência Lusa o subchefe Luís Rocha. 
“Vamos sair do quartel, acorrentados, e faremos uma marcha apeada pelas freguesias de Sacavém, Bobadela e São João da Talha, durante a qual esperamos encontrar apoio dos populares”, referiu à Lusa o porta-voz do movimento contestatário.
A acção de protesto desta noite, com início às 20:00, é a terceira consecutiva realizada pelo movimento de bombeiros voluntários de Sacavém que contesta a direcção da corporação. Na terça-feira, o mesmo grupo fechou-se no quartel e entregou o equipamento e na quarta-feira acorrentou-se aos muros do edifício.