Avenida da Liberdade volta a ter duas faixas no sentido ascendente

Avenida da Liberdade volta a ter duas faixas no sentido ascendente
A Câmara de Lisboa aprovou hoje alterações finais ao trânsito na zona da rotunda do Marquês de Pombal e da Avenida da Liberdade, aplicadas para reduzir a poluição, tendo o presidente alertado que falta a contribuição dos transportes públicos.

As alterações finais foram aprovadas com os votos contra do PSD e do CDS-PP, a abstenção do PCP e os votos a favor da maioria liderada pelo PS.
Desde Setembro que o Marquês de Pombal passou a ter, a título experimental, duas rotundas e a Avenida da Liberdade sofreu várias alterações na faixa central e nas laterais, numa tentativa de se reduzir a poluição no local.
Findo o período experimental, a câmara decidiu manter as duas rotundas, mas recuou no esquema de circulação da Avenida da Liberdade, que voltará a ser como antes, ou seja, com duas faixas para carros particulares no sentido ascendente e uma no sentido descendente e uma faixa para transportes públicos (BUS) em cada sentido.
“A câmara fez hoje uma avaliação das alterações e concluímos que houve resultados positivos na segurança, qualidade do ar e desempenho da rotunda”, disse o presidente, António Costa, após a aprovação.
Numa conferência de imprensa, o autarca admitiu que foram também verificados três problemas: excesso de trânsito na Rua da Escola Politécnica, resolvido com a alteração dos tempos dos semáforos; no sentido ascendente da Avenida da Liberdade, “onde não foi possível escoar devidamente o trânsito” e, por isso, vai ser recolocada uma segunda faixa; e a circulação nas laterais, que vão ser de atravessamento entre a Rua Alexandre Herculano e o Largo da Anunciada.
António Costa reafirmou que todas estas alterações visam um objectivo fundamental, “a melhoria da qualidade do ar”, e lembrou que Portugal já foi condenado a pagar 1.897.000 euros por causa da poluição na Avenida da Liberdade.
A esse valor acrescem 630 euros/dia até se cumprir os valores legais de poluição.
“Estas alterações não resultam só da vontade de mudar por mudar ou para chatear as pessoas. Temos de resolver o problema da qualidade do ar, que tem uma expressão financeira muito grande”, frisou o presidente.
Segundo o autarca, os primeiros resultados da monitorização que está a ser feita pela Universidade Nova de Lisboa “apontam para uma redução efectiva dos níveis de poluição”.
Contudo, António Costa lamentou que a “degradação da qualidade do serviço do Metro e da Carris” não permita “melhorar a qualidade do ar ainda mais”.
“É essencial que o Governo tenha a consciência de que não pode ficar impávido perante esta situação. Já lhe transmitimos esta preocupação e estamos disponíveis para contribuir para melhorar o sistema dos transportes públicos, mas não temos tido, até agora, eco por parte do Governo”, referiu, reafirmando assim a sua vontade em ver os transportes públicos dependerem do município e não do Estado.
O presidente da Câmara de Lisboa ressalvou que “no último ano aumentaram em Lisboa as viaturas em circulação e diminuíram os clientes dos transportes públicos”, o que considerou “estranhíssimo numa altura de crise”.
“Isso deve-se à subida brutal dos transportes públicos e à degradação do serviço”, afirmou, acrescentando que “na linha verde [do metro] se voltou ao regime de sardinha enlatada”.
António Costa disse ainda que a câmara vai aproveitar as alterações finais para repavimentar a Avenida da Liberdade, o que não é feito “como deve ser há décadas”.
“Toda a gente se queixa dos buracos e agora que o trânsito está estabilizado vamos repavimentar a faixa central como deve ser”, afirmou.
As obras devem arrancar em Fevereiro, vão decorrer faseadamente, de preferência durante a noite, e devem estar terminadas em Abril.