Autarcas preocupados com falta de barcos

Autarcas preocupados com falta de barcos

Os autarcas da Trafaria e Caparica vão apurar o impacto da perda de carreiras entre estas duas freguesias e Belém. E nisto deverão ser apoiados pela Câmara de Almada com a sua presidente a afirmar: “ainda não estou descansada sobre o corte nas carreiras da Transtejo nesta ligação”.

Foram declarações de Maria Emília de Sousa na última sessão de Câmara, onde referiu que “é preciso perceber que problemas os novos horários podem trazer para os habitantes e também para a actividade económica local”. Mais concretamente na restauração que, principalmente aos fins-de-semana, recebe muitos visitantes vindos de Belém.

Lembre-se que inicialmente o Plano Estratégico de Transportes proposto pelo Governo acabava por completo com a ligação entre a Trafaria / Porto Brandão e Belém, mas os protestos dos movimentos de cidadãos e autarcas fez o secretário de Estado dos Transportes recuar. Mesmo assim, a tesoura do Governo no sector dos transportes acabou com cinco ligações da Transtejo, desde Agosto, nesta travessia e três ao sábado e outras tantas ao domingo.

Para Francisca Parreira, presidente da Junta de Freguesia da Trafaria “é grave” as carreiras terem passado de meia em meia hora para de hora a hora, mas o impacto mais negativo é com as duas carreiras retiradas ao fim do dia. Na primeira revisão de horários o último barco passou a partir da Trafaria às 23:30 e “os restaurantes queixaram-se que perderam clientes”, agora com os barcos a terminarem às 21:30 “pior ainda”, afirma a eleita socialista.

E o mesmo diz a presidente da Junta de Freguesia da Caparica relativamente a Porto Brandão. Para uma localidade que essencialmente vive da restauração, esta redução de horários “vai ser um desastre económico”. Para Teresa Coelho (CDU) “não é com cortes nos transportes que se ameniza a crise económica”, e resume que quanto melhor for a mobilidade das populações maior é a sua rentabilidade e capacidade de trabalho.

No caso da Caparica é ainda de considerar que aqui está instalada a Faculdade de Ciências e Tecnologia e várias empresas de ponta, portanto, “cortar horários numa carreira fluvial que assegura o transporte a estudantes e trabalhadores nestas empresas é cortar no futuro do país”, acrescenta a presidente da junta.

 

Humberto Lameiras