Autarcas da Valorsul reiteram oposição à privatização da EGF

Autarcas da Valorsul reiteram oposição à privatização da EGF
Os autarcas dos municípios acionistas da empresa de resíduos Valorsul reiteraram hoje, numa ação de protesto em Lisboa, que irão “continuar a fazer tudo” para impedir a privatização da Empresa Geral de Fomento (EGF).
 
Em causa está o processo de alienação de 100% do capital estatal da Empresa Geral de Fomento (EGF), responsável pela recolha, transporte, tratamento e valorização de resíduos urbanos, através de 11 sistemas multimunicipais de norte a sul do país.
 
Estas empresas têm como acionistas a estatal Águas de Portugal (51%) e os municípios (49%). Entre estas está a Valorsul, que serve 19 municípios da Grande Lisboa e da zona do Oeste.
 
Hoje à tarde, numa conferência de imprensa realizada na Câmara de Lisboa, alguns dos autarcas dos 19 municípios servidos pela Valorsul manifestaram novamente a sua oposição à privatização da EGF, destacando as consequências imediatas da concretização desse processo.
 
“Se se concretizar teremos um aumento imediato de 15% nas tarifas, o que corresponde a um acréscimo de [despesa] 1,6 milhões de euros” por ano, afirmou o presidente da Câmara de Loures, Bernardino Soares (CDU).
 
O autarca de Loures acusou o Governo de andar a “reboque dos interesses privados” e de conduzir o processo de privatização “à revelia dos municípios”.
 
“Pedimos uma reunião urgente ao senhor ministro [do Ambiente], mas, de forma inaceitável, fomos ignorados”, criticou, referindo que, apesar da urgência pedida, a reunião só ficou marcada para 17 de abril.
 
Por seu turno, o vice-presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS), sublinhou que a privatização da Valorsul “não serve o interesse público” e que não existe nenhum motivo válido que a justifique.
 
“Esta privatização não resolve os problemas de investimento, nem contribui para baixar o valor do tratamento dos resíduos. Além disso, estamos a falar de uma empresa rentável e eficiente”, apontou.
 
Os autarcas referiram ainda que vão continuar a fazer tudo para “travar este processo de privatização”: “Intentaremos todas as formas de luta possível. Neste momento temos múltiplas ações judiciais que ainda não tiveram uma conclusão”, atestou.
 
Na sexta-feira, o ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, defendeu no parlamento o processo de privatização, argumentando que vai “reforçar o serviço público” e gerar “metas ambientais mais ambiciosas” e criticou a oposição que tem sido feita pelos municípios.
 
Em setembro, o Governo anunciou que o consórcio SUMA, liderado pela Mota-Engil, tinha vencido o concurso para a privatização de 95% do capital da EGF.