Autarcas da Valorsul descontentes com reunião do ministro do Ambiente sobre EGF

Autarcas da Valorsul descontentes com reunião do ministro do Ambiente sobre EGF
 Os autarcas dos municípios acionistas da empresa de resíduos Valorsul saíram descontentes da reunião que tiveram hoje com o ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, na qual debateram a privatização da Empresa Geral de Fomento (EGF).
 
“Infelizmente saímos daqui sem uma resposta positiva ou diferente daquela que tivemos ao longo dos últimos meses, mas é um processo que continuamos a disputar e a fazer valer a nossa posição, quer na frente jurídica, quer na política”, afirmou aos jornalistas o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS), à saída da reunião com o governante.
 
Jorge Moreira da Silva reuniu-se com alguns dos autarcas dos municípios que são acionistas da empresa resíduos Valorsul, que serve 19 concelhos da Grande Lisboa e da zona do Oeste, para discutir o processo de privatização da EGF.
 
Em causa está o processo de alienação de 100% do capital estatal da EGF, responsável pela recolha, transporte, tratamento e valorização de resíduos urbanos, através de 11 sistemas multimunicipais de norte a sul do país.
 
Estas empresas têm como acionistas a estatal Águas de Portugal (51%) e os municípios (49%)
 
Em setembro, o Governo anunciou que o consórcio SUMA, liderado pela Mota-Engil, tinha vencido o concurso para a privatização de 95% do capital da EGF.
 
“Esta privatização não defende o interesse público, põe em causa um serviço muito importante para as populações e até a saúde pública”, apontou o autarca lisboeta.
 
No mesmo sentido, o presidente da Câmara de Loures, Bernardino Soares (CDU), criticou o facto de o governante não ter dado “nenhuma garantia” de que a relação entre os municípios e as empresas de resíduos não iria ser alterada.
 
“Continuamos a não ter garantias de que mesmo que exista uma privatização de que os municípios continuem a ter como tiveram até agora uma palavra a dizer sobre as decisões estratégias da empresa. Para nós este processo não está encerrado e estamos convictos de que ainda é possível travar este processo”, sublinhou.
 
Nesse sentido, o autarca comunista aludiu a “vários processos judiciais que ainda não transitaram em julgado e que continuam em aberto”.
 
Por seu turno, o ministro do Ambiente escusou-se a prestar declarações aos jornalistas sobre a reunião com os autarcas.
 
Contudo, hoje de manhã, à margem de uma outra iniciativa, Jorge Moreira da Silva afirmou que continua disponível para explicar a reforma do setor das águas e a privatização da EGF, mas que em relação ao último processo este está decidido desde setembro de 2014
 
O governante referiu ainda que, para concluir o processo de privatização, aguarda a avaliação que está a ser feita pela Autoridade da Concorrência.
 
No final de março, Jorge Moreira da Silva defendeu no parlamento o processo de privatização, argumentando que vai “reforçar o serviço público” e gerar “metas ambientais mais ambiciosas”.