Autarca de Almada critica 'negócio antes das pessoas' na construção do terminal da Trafaria

Autarca de Almada critica 'negócio antes das pessoas' na construção do terminal da Trafaria
A presidente da Câmara de Almada, Maria Emília de Sousa, reiterou no parlamento a sua oposição à construção de um terminal de contentores na Trafaria, acusando o Governo de pôr o negócio à frente das pessoas. 
"Quando vemos o negócio como questão primeira, estamos mal, porque estamos a descurar as pessoas. A isso dizemos terminantemente não", afirmou a autarca comunista, numa audição pelas comissões de Obras Públicas, de Ambiente e de Agricultura e Mar sobre o projeto do Governo de construir um megaterminal na Trafaria. 
A presidente do município almadense sublinhou que "o negócio deve-se conformar com as decisões para o território, para a vida das pessoas e para o potencial de desenvolvimento", lembrando que o Plano Diretor Municipal de Almada prevê a aposta na pesca, no setor terciário, na pequena indústria, no turismo e nas indústrias tecnológicas. 
Quanto a transportes, apenas está prevista "a ferrovia pesada na ponte 25 de Abril e o Metro Sul do Tejo" - que já existem -, excluindo-se assim a construção de uma linha férrea, prevista pelo Governo, entre a Trafaria e a linha do Sul. 
A zona da Trafaria, acrescentou, "é de grande importância" do ponto de vista ecológico, acrescentando: "Não é uma ilusão quando dizemos que é um verdadeiro crime ambiental em Almada, Área Metropolitana de Lisboa e país".
Por outro lado, no seu entender, a arriba fóssil é "uma estrutura ecológica única e singular, que não é compaginável com ações como a perfuração" para um túnel para passagem do comboio de transporte de mercadorias.
Sobre a criação de 400 empregos na localidade, estimada pelo Governo, Maria Emília de Sousa disse que corresponde "à destruição imediata de 400 postos na pesca". 
"Esta não é a solução para o crescimento e emprego e mata quaisquer possibilidades para um crescimento significativo e gerador de um emprego substantivo", argumentou.
Como presidente da Junta Metropolitana de Lisboa, Carlos Humberto (CDU) disse aos deputados que as autarquias reunidas neste órgão manifestaram, unanimemente, o seu "frontal desacordo para com a opção de localizar este megaterminal em Almada". 
O também presidente da Câmara do Barreiro (CDU) considerou que "a atividade portuária é muito importante", defendendo que "tem de se ver onde é justo que fique, onde pode ser potencializada e onde é que cria problemas". 
Na audição, os deputados da oposição - PS, PCP, Bloco de Esquerda e Verdes - insistiram na crítica à falta de estudos conhecidos sobre as intenções do Governo, com a socialista Ana Paula Vitorino a dizer que "é uma espécie de adivinha" e que o Executivo começou por decidir a localização do megaterminal "e depois estuda-se".
João Gonçalves Pereira (CDS) recordou "os ziguezagues e os ‘jamais’ que houve quanto ao aeroporto de Lisboa”.
Pelo PSD, António Prôa defendeu que o projeto do Governo "é muito mais do que a construção de um terminal na Trafaria", sublinhando a aposta no turismo de cruzeiros e na náutica de recreio.