Austeridade e reorganização administrativa marcam discursos na Amadora

Austeridade e reorganização administrativa marcam discursos na Amadora

Os representantes dos vários partidos e movimentos de cidadãos representados na Assembleia Municipal da Amadora aproveitaram a sessão solene comemorativa do 33.º aniversário do município para comentar as medidas de austeridade recentemente anunciadas por Pedro Passos Coelho e a reforma administrativa, também imposta pelo Governo.

Durante mais de duas horas, os representantes do movimento independente CIPA, do BE, CDU e PS mostraram-se bastante críticos em relação à política seguida pelo Governo, enquanto CDS e PSD aproveitaram para lembrar que a crise nasceu pela mão do anterior executivo, liderado por José Sócrates.

Nos longos e enfadonhos discursos apenas se falou marginalmente da Amadora, com a reorganização administrativa do concelho, que prevê a redução do número de freguesias de onze para seis, a servir de mote para todas as intervenções. Bloco de Esquerda e CDU mostraram-se contrários a todas as possibilidades de extinção ou fusão de freguesias, com os comunistas, pela voz de Carlos Almeida, a classificarem a reforma em discussão como “o primeiro passo de um plano de destruição do Poder Local”. “A Amadora não necessita de reorganização administrativa. Aqui não faz sentido, pois representa um retrocesso de 12 anos”, sublinhou, por seu lado, Maria Deolinda Martin, em nome do BE.

Já Carlos Silva, vereador do PSD, enalteceu a decisão da Câmara da Amadora de apresentar a sua própria proposta de reorganização administrativa, considerando que “este é o momento certo para racionalizar estruturas”.

Como habitualmente, João Paulo Castanheira, do CDS/PP, foi o mais crítico em relação à gestão da autarquia liderada por Joaquim Raposo, tecendo palavras duras sobre a política de habitação social seguida pela câmara e ao impostos municipais “cobrados praticamente na taxa máxima”.

A estas críticas respondeu Joaquim Raposo. Já depois de ser homenageado publicamente pelo presidente da Assembleia Municipal, que o considerou como uma “referência para aqueles que se aventurarem a continuar o caminho traçado”, Raposo admitiu que “ainda há muito para fazer na Amadora”, mas mostrou-se orgulhoso pelo trabalho desenvolvido ao longo dos últimos anos.

Sobre habitação social, o edil garantiu que continua “determinado em acabar com a falta de dignidade e com o foco de marginalidade” que representa o bairro de Santa Filomena e anunciou um novo projecto-piloto de apoio a idosos e, sobretudo, a quem deles cuida.

Sobre a reorganização administrativa do concelho, Joaquim Raposo mostrou-se satisfeito pelo nível de participação pública neste processo e garantiu que a fusão de freguesias no concelho não vai levar ao encerramento de serviços, muito menos ao despedimento de funcionários.