Associações de apoio ao consumidor apontam necessidade de poupança

Associações de apoio ao consumidor apontam necessidade de poupança
Associações de apoio ao consumidor alertaram hoje para o aumento do endividamento das famílias e defenderam a necessidade de se continuar a estimular os jovens a adquirir hábitos de poupança.
 
O alerta foi dado esta manhã durante o encontro Nacional dos Centros de Informação Autárquicos ao Consumidor (CIAC), que este ano se realizou no concelho de Loures.
 
Os CIAC são estruturas da iniciativa das autarquias, no âmbito das suas competências de apoio ao consumidor, com o apoio da Direção-Geral do Consumidor, que constituem uma solução de proximidade para obter informação e aconselhamento em questões de consumo e assegurar uma intervenção de mediação na resolução de conflitos.
 
Natália Nunes, da associação de defesa dos consumidores DECO e uma das oradoras, afirmou na sua intervenção que o expectável era que a crise financeira fizesse os portugueses repensarem os hábitos de consumo, mas isso não aconteceu.
 
"Achava que com a crise as famílias estivessem mais responsáveis e despertas para a necessidade da poupança e com menos apetência para recorrer ao endividamento, mas aquilo que temos verificado é exatamente o contrário", apontou.
 
Para sustentar a sua posição, a jurista da DECO apresentou dados do Banco de Portugal que referem que durante o 1.º trimestre de 2014 mais de 671 mil pessoas tinham empréstimos em incumprimento, um número que tem vindo a crescer nos últimos anos.
 
"Notamos que as pessoas apresentam hoje os mesmos problemas do que em 2002, apesar de hoje se falar mais dos problemas e dos conceitos financeiros. As pessoas continuam sem saber fazer o que fazer ao seu orçamento", atestou.
 
Nesse sentido, Natália Nunes defendeu a necessidade de se organizar ações de formação, sobretudo junto dos mais jovens, para promover a poupança e o consumo responsável.
 
A mesma opinião foi expressa por Mário Parra da Silva, da Associação Portuguesa de Ética Empresarial (APEE), que falou numa "esquizofrenia" das pessoas que pensam de uma maneira como cidadãos e de outra como consumidores.
 
"O problema é que as pessoas sabem das suas dificuldades, mas pensam na satisfação imediata”, apontou.
 
Por seu turno, em declarações à agência Lusa, Sónia Passos, da Direção Geral do Consumidor (DGC) referiu que os consumidores vivem uma luta constante para resistir ao consumo: "Eles vivem bombardeados pela publicidade e pelo marketing, que lhes mostram produtos que eles querem, mas que muitas vezes não podem ter".
 
A responsável da DGC partilha também da ideia de que os hábitos de poupança têm sido insuficientes e só se sentiram mais no início da crise.
 
"Houve uma época transitória em que a poupança aumentou e o crédito diminuiu, mas não foi uma alteração sustentada. No momento de aflição muda-se, mas rapidamente se retomam os velhos hábitos", argumentou.
 
Relativamente às queixas dos consumidores, Sónia Passos referiu que a maior parte delas diz respeito às telecomunicações.
 
No caso do CIAC de Loures, foram já registadas este ano, no total, 220 reclamações.