Associação de Museologia contra modelos diferentes de gestão no setor

Associação de Museologia contra modelos diferentes de gestão no setor
A Associação Portuguesa de Museologia (APOM) disse hoje à agência Lusa que se opõe à existência de dois modelos de gestão no setor, como previsto para o eixo Belém-Ajuda, que o atual Governo extinguiu.
 
Esta é uma das posições que a entidade vai apresentar na terça-feira, no parlamento, durante uma audiência na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, prevista para as 16:30, sobre os problemas no setor.
 
Contactado pela agência Lusa, o presidente da APOM, João Neto, indicou que este será um dos assuntos a apresentar, entre outros, nomeadamente a necessidade da revisão da lei do mecenato, e o reforço dos recursos humanos nos museus.
 
Sobre o caso da extinção da estrutura de missão para a criação de um plano para o chamado eixo Belém-Ajuda, onde estão localizados alguns dos museus e monumentos mais visitados do país e o afastamento do seu responsável, António Lamas, da presidência do Centro Cultural de Belém (CCB), a APOM disse ser "contra a manutenção de dois modelos diferentes de gestão no setor".
 
"Sempre defendemos que devem ser os diretores dos museus a geri-los e que devem receber pelo menos 50 por cento do valor das receitas, em vez desses recursos irem para as finanças, e depois distribuído um orçamento", comentou João Neto.
 
Para o responsável, o que estava previsto para Belém, e com o qual a entidade não concorda "era uma réplica do que foi feito em Sintra, para os monumentos e museus geridos pela Parques de Sintra - Monte da Lua", entidade que foi presidida por António Lamas.
 
Considerado um exemplo de sucesso por algumas vozes do setor da museologia, e também pelo anterior secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, que nomeou António Lamas para o CCB e responsável pela criação do plano para Belém, o modelo não agrada à APOM.
 
"Recebemos cartas de muitas famílias a falar em preços demasiado elevados. Acontece que estes modelos inflacionam o custo dos bilhetes a pensar nos turistas estrangeiros, e os visitantes nacionais são prejudicados", argumentou o presidente da entidade.
 
A APOM defende ainda uma valorização dos profissionais do setor, a sua responsabilização e maior autonomia, partindo do princípio que os museus "são lugares de memória e património, mas também de produção de conhecimento, e uma excelente arma contra a intolerância".
 
Em janeiro deste ano, a associação fez uma ronda de audiências com todos os grupos parlamentares para alertar para estas questões.
 
A APOM, que celebrou 50 anos em 2015, distingue, desde 1997, museus, projetos, profissionais e atividades desenvolvidas no setor, com prémios anuais, atribuídos para incentivar a preservação e divulgação do património.