Área Metropolitana de Lisboa soma riscos naturais, ambientais e sociais

Área Metropolitana de Lisboa soma riscos naturais, ambientais e sociais

 

A Área Metropolitana de Lisboa (AML) soma riscos decorrentes de perigos naturais, como maremotos e sismos, ambientais, onde cabem os incêndios, tecnológicos devido a indústrias e sociais face à grande concentração de populações. 
O diagnóstico das situações de risco consta de um documento, analisado e aprovado pela Assembleia Metropolitana de Lisboa, na sua última reunião.
O documento recorda a localização do país sobre placas tectónicas, colocando em “ susceptibilidade muito elevada de ocorrência” de sismo 22 por cento do território da AML.
“Os concelhos de Alcochete e de Vila Franca de Xira são aqueles em que se verificam situações mais desfavoráveis”, lê-se.
A AML está ainda sujeita ao risco de maremoto em parte significativa da sua costa atlântica, numa frente ribeirinha de cerca de 200 quilómetros, em dois grandes estuários (Tejo e Sado) e afectando os portos de Lisboa e Setúbal, além dos portos piscatórios de Sesimbra, Cascais e Ericeira.
A nível da erosão do litoral estão sinalizadas duas zonas de elevado risco: costa rochosa entre a foz do Falcão e o Cabo da Roca e a zona arenosa da Costa da Caparica. 
Na zona de arriba, estão em risco máximo cinco praias e nota-se que nos últimos quarenta anos a linha de costa na
Caparica recuou quatrocentos metros.
As cheias progressivas ameaçam sobretudo a planície aluvial do estuário do Tejo, enquanto as rápidas se concentram sobretudo nos cursos de água de Odivelas, Loures, Oeiras e Mafra.
O documento lembra que as cheias rápidas resultam do mau uso do território pelo homem, nomeadamente pelas construções em leito de cheia.
Devido a alterações climatéricas, a AML poderá sofrer consequências graves por cheias rápidas e deslizamentos.
Quanto a perigos ambientais, o documento indica que aumentam os riscos de incêndios florestais e de contaminação de aquíferos.
O diagnóstico mostra que na AML há possibilidade de acidentes industriais, nos sistemas de transporte de substâncias perigosas e decorrentes da grande concentração de infraestruturas logísticas e de transporte.
Há riscos devido a ruptura de barragens e de acidente atómico na Central de Almaraz, construída a 80km da fronteira e que desagua para o Tejo. 
“Sendo uma situação impossível de tratar, como é óbvio, a nível do ordenamento do território da AML, ela terá de estar
presente em todos os planos de contingência”, conclui-se.
Nas questões sociais são relatadas o aumento da distância entre os mais e os menos desfavorecidos, a grande percentagem de população envelhecida e a degradação do parque habitacional.
“Numa situação de catástrofe grave, provocada por sismo, o mau estado do parque habitacional poderá ser responsável pelo desalojamento de seiscentos mil habitantes”, refere.
Risco para a saúde devido à vida urbana, sinistralidade rodoviária, e a possibilidade de aumento da criminalidade 
“face à situação de crise que se vive” são outras dos riscos apresentados.
O documento aprovado e transformado em declaração da Assembleia Metropolitana de Lisboa entende que a prevenção se deve iniciar pela “ correcção das práticas de ocupação
do solo”.
Para a assembleia metropolitana, o “risco é um desafio a vencer com planeamento e prevenção”.