Aposta equestre no eixo de Belém

Aposta equestre no eixo de Belém
A importância da requalificação das instalações do Páteo da Nora, que dão apoio ao Picadeiro Henrique Calado (ambos na Calçada da Ajuda, em Lisboa) e à actividade da Escola Portuguesa de Arte Equestre, foi realçada pelo ministro da Cultura, na passada sexta-feira, aquando da inauguração oficial do espaço, que poderá agora receber visitas guiadas do público.

 

Um investimento de um milhão de euros, assumido pela Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML), possibilitou, “finalmente, garantir a satisfação das plenas condições para um digno funcionamento da Escola Portuguesa de Arte Equestre (EPAE), que permitem o adequado treino, alojamento e apresentação de cavalos e cavaleiros com vista à preservação e divulgação deste património de inquestionável valor histórico e de importância para a cultura e tradição portuguesas”, salientou o presidente daquela empresa de capitais exclusivamente públicos, Manuel Baptista, discursando no final da visita efectuada às renovadas instalações do Páteo da Nora na companhia do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes.

Pouco depois, ainda antes do início de uma gala equestre que serviria para comemorar a abertura simbólica das novas funções daquele espaço – anteriormente pertencente ao Regimento de Lanceiros n.º 2 do Exército – caberia ao governante alargar a visão sobre os impactos, económicos e culturais, desta obra mais recente, juntando-a, nesse âmbito, ao Picadeiro Henrique Calado, aberto há sensivelmente um ano e onde se realizam espectáculos regulares.

“Num momento em que Portugal se tornou um destino turístico de primeiro plano, é evidente que todas as nossas manifestações culturais, todo o nosso património material ou imaterial, fazem parte desse acervo que nos valoriza, perante nós próprios em primeiro lugar, e nos valoriza face aos outros”, destacou Luís Filipe Castro Mendes, lembrando casos como Viena (Áustria), onde “muita gente visita a importante escola de arte equestre” local, constituindo a mesma “um marco da cidade”. 

“Tendo nós uma raça cavalar tão apurada e tão importante como os cavalos lusitanos, tendo nós uma escola de arte equestre com uma tradição que remonta ao século XVIII, nada mais normal do que darmos mais visibilidade à arte equestre, promovê-la como manifestação de cultura e trazer aqui o maior número possível de visitantes”, reforçou o ministro.

O governante salientou, ainda, que o conjunto de intervenções realizadas pela PSML no Picadeiro Henrique Calado (1,5 milhões de euros) e nas cavalariças e edifícios de apoio logístico do Páteo da Nora (um milhão de euros) veio colocar “neste grande eixo turístico que é esta parte de Lisboa mais um equipamento, mais uma mostra de cultura que vai integrar-se num perímetro onde estão já o Museu dos Coches, onde estará, num futuro próximo, o Museu das Jóias da Coroa (no Palácio da Ajuda), e que abre depois para a frente ribeirinha, com a Torre de Belém, os Jerónimos, os mais conhecidos e notórios monumentos de Portugal”.

 

Visitas guiadas

 

Para além da função de apoio às galas realizadas pela APAE no Picadeiro Henrique Calado (situado mesmo defronte do Páteo da Nora), as obras agora concluídas permitem, ainda, passar a realizar visitas guiadas, nomeadamente com o público dos espectáculos, aos locais onde os cavalos e cavaleiros treinam e se preparam para as suas ‘performances’, à semelhança do que acontece noutras escolas europeias.

Os trabalhos ali efectuados pela PSML foram de “intervenção profunda”, tal o mau estado de conservação em que se encontravam os edifícios, como lembrou o presidente do conselho de administração da PSML. Manuel Baptista especificou que o milhão de euros ali investido foi aplicado em obras que “incidiram nas coberturas, nos revestimentos, nas caixilharias, na comparticipação dos interiores e nas infra-estruturas para adaptar os edifícios em cavalariças com duche, lavandaria e área administrativa, na recuperação da portaria, portão de entrada, na execução do passadiço para o picadeiro de aquecimento”.

Aquele responsável lembrou, ainda, que antes da mudança para o picadeiro em Belém, a APAE fazia as suas actuações nos jardins do Palácio Nacional de Queluz (onde está desde 1996 e mantém a sua sede), “numa zona degradada que não oferecia condições e cujo restauro integral estava planeado”, referindo-se ao Jardim Botânico de Queluz, área que foi sendo destruído por inundações sucessivas e que, após obras de restauro e de protecção, foi inaugurado recentemente. 

A EPAE é considerada uma das quatro escolas de arte equestre na Europa. Foi criada em 1979 e tem por objectivo promover o ensino, a prática e a divulgação da arte equestre tradicional portuguesa, na sequência do que fazia a Picaria Real, academia equestre da corte, encerrada no século XIX. Missão que inclui pugnar pela conservação e promoção do cavalo puro sangue lusitano da Coudelaria de Alter. 

Desde Setembro de 2012 que, por decisão governamental, a sociedade Parques de Sintra-Monte da Lua assegura a gestão da EPAE, tendo investido, nos últimos anos, na recuperação das referidas estruturas do Exército na área de Belém, promovendo, assim, o regresso desta arte nacional à sua zona de origem. 

 

Trabalho de bastidores garante brilho dos espectáculos

Nos bastidores dos espectáculos onde brilham cavaleiros e cavalos há um conjunto de trabalhadores que dão um valioso contributo para que milhares de pessoas possam apreciar toda a beleza e força contida que se exibe regularmente no Picadeiro Henrique Calado, em Belém. Ao todo, por estes dias, são 14 tratadores. O seu posto mais habitual é agora no Páteo da Nora, nas cavalariças outrora conhecidas como as cocheiras da rainha e que se localizam defronte ao picadeiro onde decorrem as galas.

Alimentar os cavalos ou tão-só providenciar um cavalete (pequeno escadote) para que o cavaleiro, já devidamente enfarpelado, consiga subir para a sela sem pôr em risco a indumentária e a postura em cima da hora do espectáculo fazem parte do quotidiano destes profissionais.

Em dias de gala, como foi o caso na passada sexta-feira, a azáfama começa bem cedo como explica ao JR o sub-chefe da equipa, Nuno Devesa: “Pelas 07h00, com a limpeza das camas, dos cavalos, lavagens de material… Depois, às 13h00, começamos a entrelaçar os animais, colocar as fitas, as selas…”. Saliente-se que entrelaçar as crinas e, em alguns casos, a rabada dos cavalos é coisa que leva o seu tempo – por norma, “uma hora” para cada animal… 

Depois, é preciso estar atento ao espectáculo do outro lado da Calçada da Ajuda, de forma a ir preparando os cavalos que ainda vão entrar ou receber os que já saíram do Picadeiro.

No Páteo da Nora há duas cavalariças, acolhendo um total de 47 animais. Segundo explica o nosso interlocutor, a n.º 1 tem 29 ocupantes aptos a participarem nos espectáculos, enquanto a n.º2, ao lado, tem 18 exemplares que, digamos assim, ainda estão a jogar na equipa B…

Há dois anos naquelas instalações, Nuno Devesa e a sua equipa – na qual se integram algumas pessoas portadores de deficiência por protocolo da PSML com instituições desta área – testemunharam as obras que ali foram sendo realizadas. “Claro que agora as condições de trabalho são muito melhores”, conclui, com satisfação.

Jorge A. Ferreira

A importância da requalificação das instalações do Páteo da Nora, que dão apoio ao Picadeiro Henrique Calado (ambos na Calçada da Ajuda, em Lisboa) e à actividade da Escola Portuguesa de Arte Equestre, foi realçada pelo ministro da Cultura, na passada sexta-feira, aquando da inauguração oficial do espaço, que poderá agora receber visitas guiadas do público.
 
Um investimento de um milhão de euros, assumido pela Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML), possibilitou, “finalmente, garantir a satisfação das plenas condições para um digno funcionamento da Escola Portuguesa de Arte Equestre (EPAE), que permitem o adequado treino, alojamento e apresentação de cavalos e cavaleiros com vista à preservação e divulgação deste património de inquestionável valor histórico e de importância para a cultura e tradição portuguesas”, salientou o presidente daquela empresa de capitais exclusivamente públicos, Manuel Baptista, discursando no final da visita efectuada às renovadas instalações do Páteo da Nora na companhia do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes.
Pouco depois, ainda antes do início de uma gala equestre que serviria para comemorar a abertura simbólica das novas funções daquele espaço – anteriormente pertencente ao Regimento de Lanceiros n.º 2 do Exército – caberia ao governante alargar a visão sobre os impactos, económicos e culturais, desta obra mais recente, juntando-a, nesse âmbito, ao Picadeiro Henrique Calado, aberto há sensivelmente um ano e onde se realizam espectáculos regulares.
“Num momento em que Portugal se tornou um destino turístico de primeiro plano, é evidente que todas as nossas manifestações culturais, todo o nosso património material ou imaterial, fazem parte desse acervo que nos valoriza, perante nós próprios em primeiro lugar, e nos valoriza face aos outros”, destacou Luís Filipe Castro Mendes, lembrando casos como Viena (Áustria), onde “muita gente visita a importante escola de arte equestre” local, constituindo a mesma “um marco da cidade”. 
“Tendo nós uma raça cavalar tão apurada e tão importante como os cavalos lusitanos, tendo nós uma escola de arte equestre com uma tradição que remonta ao século XVIII, nada mais normal do que darmos mais visibilidade à arte equestre, promovê-la como manifestação de cultura e trazer aqui o maior número possível de visitantes”, reforçou o ministro.
O governante salientou, ainda, que o conjunto de intervenções realizadas pela PSML no Picadeiro Henrique Calado (1,5 milhões de euros) e nas cavalariças e edifícios de apoio logístico do Páteo da Nora (um milhão de euros) veio colocar “neste grande eixo turístico que é esta parte de Lisboa mais um equipamento, mais uma mostra de cultura que vai integrar-se num perímetro onde estão já o Museu dos Coches, onde estará, num futuro próximo, o Museu das Jóias da Coroa (no Palácio da Ajuda), e que abre depois para a frente ribeirinha, com a Torre de Belém, os Jerónimos, os mais conhecidos e notórios monumentos de Portugal”.
 
 
Visitas guiadas
 
Para além da função de apoio às galas realizadas pela APAE no Picadeiro Henrique Calado (situado mesmo defronte do Páteo da Nora), as obras agora concluídas permitem, ainda, passar a realizar visitas guiadas, nomeadamente com o público dos espectáculos, aos locais onde os cavalos e cavaleiros treinam e se preparam para as suas ‘performances’, à semelhança do que acontece noutras escolas europeias.
Os trabalhos ali efectuados pela PSML foram de “intervenção profunda”, tal o mau estado de conservação em que se encontravam os edifícios, como lembrou o presidente do conselho de administração da PSML. Manuel Baptista especificou que o milhão de euros ali investido foi aplicado em obras que “incidiram nas coberturas, nos revestimentos, nas caixilharias, na comparticipação dos interiores e nas infra-estruturas para adaptar os edifícios em cavalariças com duche, lavandaria e área administrativa, na recuperação da portaria, portão de entrada, na execução do passadiço para o picadeiro de aquecimento”.
Aquele responsável lembrou, ainda, que antes da mudança para o picadeiro em Belém, a APAE fazia as suas actuações nos jardins do Palácio Nacional de Queluz (onde está desde 1996 e mantém a sua sede), “numa zona degradada que não oferecia condições e cujo restauro integral estava planeado”, referindo-se ao Jardim Botânico de Queluz, área que foi sendo destruído por inundações sucessivas e que, após obras de restauro e de protecção, foi inaugurado recentemente. 
A EPAE é considerada uma das quatro escolas de arte equestre na Europa. Foi criada em 1979 e tem por objectivo promover o ensino, a prática e a divulgação da arte equestre tradicional portuguesa, na sequência do que fazia a Picaria Real, academia equestre da corte, encerrada no século XIX. Missão que inclui pugnar pela conservação e promoção do cavalo puro sangue lusitano da Coudelaria de Alter. 
Desde Setembro de 2012 que, por decisão governamental, a sociedade Parques de Sintra-Monte da Lua assegura a gestão da EPAE, tendo investido, nos últimos anos, na recuperação das referidas estruturas do Exército na área de Belém, promovendo, assim, o regresso desta arte nacional à sua zona de origem. 
 
Jorge A. Ferreira