António Rosado na abertura dos Serões Musicais do Palácio da Pena, no dia 14

António Rosado na abertura dos Serões Musicais do Palácio da Pena, no dia 14
O ciclo Serões Musicais no Palácio da Pena, em Sintra, inicia-se no dia 14, com um concerto que junta o Quarteto de Cordas de Matosinhos ao contrabaixista Pedro Vares e ao pianista António Rosado, anunciou a Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML), entidade que gere o antigo palácio real.
 
Todos os concertos deste ciclo, que decore até 04 de março, têm lugar no salão nobre, acontecem pelas 21:00, e são precedidos de uma comunicação pela musicóloga Luísa Cymbron, que contextualizará cada atuação.
 
O ciclo apresentará “um repertório romântico muito próximo das sonoridades que lá se terão ouvido no século XIX, com direção artística de Massimo Mazzeo”, diretor do Divino Sospiro - Centro de Estudos Musicais Setecentistas de Portugal, segundo a mesma fonte.
 
O ciclo deste ano coincide com a celebração dos 200 anos do nascimento do rei D. Fernando, marido da rainha D. Maria II, responsável pela arquitetura do parque de Sintra e do Palácio da Pena, que mandou erguer sobre um antigo convento jerónimo, que adquiriu em 1838, assim como do “chalet” da condessa, dentro do parque, entre outras iniciativas.
 
O concerto de abertura intitula-se “Quadros da natureza” e o programa é constituído por peças de Schubert, Mendelssohn, Smetana, Dvorak e Vianna da Motta.
 
“A diversidade de leituras sobre a natureza serve de mote à atuação. O concerto pretende, assim, ilustrar esta diversidade através de um programa de música de câmara”, segundo a mesma fonte.
O segundo concerto, intitulado “Virgens Alpinas”, realiza-se no dia 20, e conta com a participação da soprano Bárbara Barradas, da meio-soprano Liliana de Sousa e do tenor João Terleira, que serão acompanhados ao piano por João Paulo Santos.
 
“Serão apresentadas obras centradas em heroínas virginais, que têm os Alpes como inspiração, na busca de uma identificação entre a personagem e a natureza”, ainda segundo a organização.
 
Elise Hensler, a segunda mulher do rei D. Fernando, foi cantora de ópera, tornada condessa d’Edla pelo duque Ernesto II de Saxe-Coburgo Gotha, antes do casamento com o rei viúvo, em 1896.
 
“Enquanto cantora de ópera, Elise Hensler chegou a interpretar várias obras com esta inspiração durante a sua carreira”, disse a mesma fonte.
 
No dia 27 realiza-se o serão “A trompa maravilhosa do romantismo”, que recorre ao "título de uma importante coleção de textos e canções populares alemãs do início do século XIX, para demonstrar o papel da trompa enquanto elemento de ligação entre o homem e a natureza”.
 
Atuam o barítono André Baleiro, o trompista Paulo Guerreiro e o pianista João Paulo Santos.
 
“Um suplemento do Chiado: A Sintra queirosiana”, no dia 04 de março, encerra os Serões Musicais no Palácio da Pena, um concerto no qual se pretende “transformar em música a visão do [escritor] Eça de Queirós sobre Sintra".
 
“A partir da segunda metade do século XIX, Sintra começa a surgir na literatura como um passeio público alternativo, além do Éden romântico ao qual sempre foi associada. Foram a opereta francesa e a zarzuela, que se ouviam frequentemente nos teatros mais pequenos pelo país, que refletiram musicalmente este espírito”, segundo a mesma fonte.
 
O elenco de “Um suplemento do Chiado: A Sintra queirosiana” é constituído pela soprano Ana Franco, a meio-soprano Ana Ferro, o tenor Marco Alves dos Santos, o barítono Mário Redondo e o pianista João Paulo Santos.
 
A edição do ano passado dos Serões Musicais contabilizou 310 espetadores, segundo dados da PSML, que este ano, “prevendo uma grande procura”, tendo cada concerto a lotação de cem lugares, mais 30 do que no ano passado.
 
“Já temos mais de metade dos bilhetes vendidos para cada um dos concertos”, adiantou a mesma fonte.
 
O Palácio da Pena foi sendo construído sob o olhar atento do monarca, que aproveitou as ruínas do antigo convento e ampliou a construção em 1848, transformando-o em residência de verão da família real.
 
O palácio e o parque circundante contaram com direção de obra do barão Wilhelm von Eschwege.