António Costa recusa assumir Parque das Nações sem contrapartidas

António Costa recusa assumir Parque das Nações sem contrapartidas

O presidente da Câmara de Lisboa recusa assumir a gestão urbana do Parque das Nações sem contrapartidas financeiras, considerando que o Governo fez um "ultimato" ao querer transferir para o município esta gestão a partir de Julho.

"Vejo vantagens que a gestão urbana [do Parque das Nações] passe para o município, mas em condições de o município a conseguir exercer. Não podemos ser confrontados com um ultimato em que nos é dito que ‘dia 01 [de Julho] fechamos a loja, levantamos a tenda, amanhem-se a tomar conta disto'. Não é forma de diálogo" por parte do Governo, disse António Costa na Assembleia Municipal de Lisboa, respondendo a uma questão do PS sobre esta matéria.

Recordando que a gestão urbana do Parque das Nações custa mensalmente cerca de 500 mil euros, ou seja, seis milhões por ano, o autarca socialista afirmou: “Só por irresponsabilidade é que poderemos assumir esta despesa acrescida sem qualquer contrapartida financeira".

António Costa disse ainda que seria a "primeira vez" que haveria transferência de competências do Estado para a autarquia, como a higiene urbana, com o Estado "a ficar com o dinheiro do lado de lá".

Para o autarca, este "ultimato" demonstra também "uma enorme falta de respeito e consideração por quem investiu no Parque das Nações, comprou casas, instalou empresas e para quem fez um trabalho extraordinário durante a Expo '98".

Questionado pela Lusa quanto aos 19,9 milhões de euros de dívida que a Parque Expo reivindica junto do município para a gestão urbana daquela zona, o autarca reafirmou que não é assumida pela câmara, porque "foi pago tudo até ao último contrato com a empresa de 31 de Outubro de 2008".

"Não temos mais nada para pagar", afirmou.

O Grupo Parque Expo tem de ser extinto até ao final de 2013 por indicação do Governo, pela sua “inviabilidade económica e financeira”.