António Costa defende que é urgente 'criar músculo empresarial e recuperar emprego'

António Costa defende que é urgente 'criar músculo empresarial e recuperar emprego'

O secretário-geral do PS defendeu hoje que é urgente "criar músculo empresarial e recuperar emprego", considerando que a competitividade é o "problema central" do país e sublinhando que a crise "não está ultrapassada".

"A crise que vivemos não está ultrapassada, não tem natureza conjuntural e não é exclusivamente nacional", afirmou o líder socialista, António Costa, traçando um diagnóstico no início da sua intervenção na conferência Lisbon Summit, promovida pela publicação britânica The Economist, em Cascais.

"Tal como a crise não surgiu em 2010 com a subida dos juros da dívida, também não terminou agora com a sua descida. Se nos colocarmos em perspetiva, percebemos que desde o ano 2000, décima a mais, décima a menos, temos vivido uma continuada estagnação", disse.

"É certo que houve anos melhores, como 2007, e anos piores, como os mais recentes. Mas o que resulta, olhando friamente para a série longa, é que em 2000 interrompemos um ciclo. Entre 1996 e 2000, variámos a nossa taxa de crescimento anual entre 3,5% e 4,8%. Desde então, tivemos cinco anos de crescimento negativo, três em que crescemos menos que 1%, três em que crescemos menos de 2% e só em 2007 conseguimos crescer 2,4%", acrescentou.

Costa relacionou esta situação com a integração na moeda única, uma "zona marco alargada", que aumentou as assimetrias porque não foi acompanhada de "corretores", referindo que estudos preparatórios do euro sustentaram que a nova moeda exigia uma capacidade orçamental da União de 4 a 7% do PIB.

Para "corrigir o pecado original", Costa diz que é preciso crescer e para crescer aumentar a competitividade.

"Depois de uma cirurgia é necessário um programa de fisioterapia, que permita reconstituir o músculo e recuperar a autonomia dos movimentos. No nosso caso, é urgente criar músculo empresarial e recuperar o emprego", afirmou.

No período de respostas, o secretário-geral do PS elegeu mesmo a competitividade como o "problema central" do país, que, disse, "não se resolve com uma estratégia de empobrecimento, mas com uma estratégia que aposte na qualificação", que, por sua vez, precisa de ter uma continuação persistente.

Entre outras medidas, António Costa defendeu "políticas ativas de emprego numa dupla perspetiva", em primeiro lugar para "aumentar a produtividade e competitividade das empresas, em especial as de potencial exportador, acelerando em marcha forçada, a aproximação entre universidades e politécnicos, apoiando o notável impulso empreendedor das novas gerações, multiplicando programas de formação para a produtividade e incentivando a absorção de quadros qualificados".

Por outro lado, as políticas ativas de emprego devem "acorrer aos setores de mão-de-obra intensiva e menos qualificada, como a construção civil e a restauração, setores devastados nestes anos".

"É essencial para evitar a condenação a desemprego perpétuo das gerações com mais de 40 anos, que não têm os níveis de qualificação hoje exigidos. A reabilitação urbana para a eficiência energética, os serviços de apoio ao turismo ou aos idosos são grandes necessidades que são também grandes oportunidades", afirmou.