Amadora: Conjuntura limita sonhos de negócio

Amadora: Conjuntura limita sonhos de negócio

Crise obriga a alterações no programa municipal de empreendedorismo.
Foi lançado quando a crise começou, em 2008, e tinha como objectivo apoiar pessoas com ideias de negócio dispostas a implementar os seus projectos. Passaram 4 anos e, apesar do saldo ser positivo, agora a conjuntura é mais difícil para quem quer criar uma pequena empresa.
Márcio Teles foi um dos empresários apoiados pelo projecto Amadora Empreende que, em 2011, conseguiu abrir a sua loja “Soluções Eficientes”, no bairro social do Casal do Silva. Mas apesar do sucesso do empresário, a loja está neste momento de portas fechadas e a página de Internet que divulgava a actividade comercial deste jovem empresário brasileiro foi desactivada. Ao que o JR pôde apurar, Márcio Teles está agora a tentar levar o seu negócio para Angola.
Talvez sejam sinais da crise a que o país assiste. Segundo Ana Moreno, directora do Departamento de Intervenção Social (DIS), as 24 empresas criadas a partir deste programa, “estão a funcionamento, muitas delas em ‘BackOffice’”.
A conjuntura também mudou a população que bate à porta deste projecto. “A crise tem levado a que haja uma maior procura pelo programa de apoio ao empreendedorismo, mas muitas destas pessoas não têm uma boa ideia de negócio nem são empreendedores, vêm apenas em desespero de causa, muitas vezes porque perderam o emprego e são desempregados de longa duração que querem resolver a sua vida”, classifica Ana Moreno. “Tentamos ter muita cautela porque não estamos numa boa altura para abrir um negócio, é necessário que as pessoas tenham um perfil empreendedor”, refere a responsável alertando para os riscos destes “novos” empresários. “Há quem venha tentar abrir um negócio como última tentativa, mas se as coisas correrem mal, a situação dessas pessoas pode ainda piorar”, refere a responsável.
Apesar de 2008 já se viver em crise, Ana Moreno considera que “neste momento, a situação é muito diferente, em 2008 ainda se podiam abrir negócios, mas as diferenças começaram a notar-se desde 2011, a carga fiscal é cada vez mais elevada”.
Motivos que levaram à reformulação do programa Amadora Empreende que, neste momento, está a aberto a novas propostas ao longo de todo o ano. Já não é necessário esperar pela abertura das candidaturas para que uma ideia de negócio possa vir apoiada pelos serviços técnicos disponibilizados pelo programa municipal.
A par destas alterações, o Amadora Empreende passou também a dispor de um Centro de Apoio ao Empreendedorismo, que funciona em permanência, no centro de Juventude da Amadora, na Brandoa, onde se pode encontrar apoio e acompanhamento para a implementação de uma ideia de negócio.
A aposta passa agora também pelo empreendedorismo nas escolas. “Criámos uma formação à qual responderam 42 professores que têm a oportunidade de passar os seus novos conhecimentos aos seus alunos”, acrescenta.
O Amadora Empreende, lançado em 2008, foi um projecto pioneiro em Portugal, nascido e desenvolvido em parceria com o ISCTE (Instituto Superior e a Fundação Calouste Gulbenkian). Desde do início do Programa, já apoiou 199 potenciais empreendedores, tendo sido implementados 24 negócios.