Amadora: Quando o padeiro batia à nossa porta

Amadora: Quando o padeiro batia à nossa porta

Depois de 43 anos a levar pão fresco de casa em casa, António Rodrigues foi homenageado pelo Rotary Club.
António Martins Rodrigues foi homenageado pelo Rotary Club da Amadora, na semana passada, pelo seu “profissionalismo exemplar”. Ao longo de 43 anos andou pelas ruas da Amadora a distribuir pão porta-a-porta montado na sua bicicleta, uma profissão praticamente extinta, mas que a desempenhou com empenho até 2008, altura em que se reformou. Por ser o único, já no século XXI, a levar a cabo esta tarefa foi convidado por várias televisões a dar o seu testemunho.
Já ninguém lhe segue o negócio, mas fala com naturalidade das alterações que foram ocorrendo na sociedade e que levaram muitas famílias a prescindir do serviço de entrega de pão ao domicílio. “Qualquer pastelaria que abre tem fabrico próprio e o pão está sempre a sair, não tem a mesma qualidade do que aquele que distribuía, mas as pessoas preferem”, assegura.
Desde 1961, quando chegou à Amadora, depois de ter saído da aldeia onde nasceu, no concelho de Tábua, começou a distribuir o pão de bicicleta, percorrendo cerca de 12 quilómetros diariamente para satisfazer os pedidos dos seus clientes. Tarefa que desempenhou até há quatro anos carregando consigo mais de 150 chaves para poder abrir as portas dos prédios. “Para além de andar de bicicleta ainda subia as escadas dos prédios, cheguei a contar e foram 3946 por dia”, recorda.
Não imaginava que profissão tão modesta pudesse despertar tanto interesse por parte das pessoas. “Já fui convidados para ir várias vezes às televisões para dar uma entrevista”, conta.
Esta homenagem realizada pelo Rotary Clue da Amadora teve como objectivo enaltecer o trabalho de "um profissional de que os amadorenses se orgulham", como explicou Manuela Branco, membro do clube. “Os amadorenses vão ter saudades de ter pão fresco à porta de casa”, concluiu.