Alterações no Marquês e na Avenida da Liberdade "não trouxeram vantagens para ninguém"

Alterações no Marquês e na Avenida da Liberdade "não trouxeram vantagens para ninguém"

 

Uma análise elaborada pelo Automóvel Clube de Portugal (ACP) e por especialistas em mobilidade permitiu concluir que as alterações na rotunda do Marquês de Pombal e na Avenida da Liberdade, em Lisboa, “não trouxeram vantagens para ninguém”.
Considerando que não há qualquer “interesse na manutenção das alterações impostas pela Câmara de Lisboa”, o ACP apela à “reposição imediata do sistema anterior”.
Num comunicado hoje divulgado pelo ACP pode ler-se que as alterações “não interessam aos automobilistas porque o sistema está mais complicado, é menos flexível e continua com os mesmos congestionamentos de trânsito”.
Também não interessa aos peões nem aos turistas, indica, porque continuam a cruzar as vias rodoviárias sem qualquer protecção e não interessa ao ambiente porque o tráfego já foi reduzido a metade com as limitações implementadas na Baixa em 2008.
O ACP avisa que, por causa das alterações, parte do tráfego tem congestionado as vias paralelas à Avenida da Liberdade, principalmente no eixo formado pelas Rua da Madalena/Rua de São Lázaro/Rua Luciano Cordeiro e no eixo Rua da Escola Politécnica/Rua D. Pedro V/Rua da Misericórdia. 
Quanto às análises da qualidade do ar feitas pela Universidade Nova antes e depois das alterações, que apontaram para uma diminuição na emissão de alguns poluentes, o ACP frisa que contém “um carácter muito preliminar, dado o período muito reduzido para esta comparação”, e recorda que a qualidade do ar “é influenciada por diversos factores com grande variabilidade”, como a meteorologia. 
“Refira-se que em dias de chuva os limites de poluição nunca são ultrapassados”, afirma o ACP, acrescentando que o “período experimental tem sido significativamente chuvoso”.
“Mesmo que os valores apontem para uma diminuição da poluição na Avenida da Liberdade, no cômputo geral, certamente não diminuíram devido ao forte impacto dos congestionamentos de trânsito ocorridos nos já referidos eixos paralelos”, lê-se no comunicado.
Para o Automóvel Clube de Portugal, as alterações na Rotunda do Marquês de Pombal e na Avenida da Liberdade também não interessam aos lojistas, porque afastam os clientes, aos taxistas, já que têm de percorrer percursos mais complexos, e aos ciclistas, que partilham uma via com os transportes colectivos “altamente poluentes”.
As alterações também não interessam aos transportes públicos rodoviários porque perdem velocidade comercial e atractividade da oferta, sustenta o ACP.
No seu entender, seria mais eficiente um sistema de semáforos interligado a um sistema de sensores de poluição em que, quando os limites máximos de poluentes fossem ultrapassados, os próprios semáforos limitassem as entradas nas zonas poluídas.
Em vez das mudanças de sentido nas faixas laterais da Avenida da Liberdade, o ACP propõe a colocação de lombas que obriguem ao “abrandamento de velocidade e ao respeito pelo peão”.
Quanto à Rotunda do Marquês, o ACP diz que só pode concordar com as alterações “se a rotunda exterior oferecer pelo menos três vias de circulação” porque com duas vias terá pouca capacidade para escoar o trânsito.
No dia 16 de Setembro a Câmara de Lisboa deu início à fase experimental da nova circulação no Marquês de Pombal e na Avenida da Liberdade, com o objectivo de reduzir a poluição.
O Marquês de Pombal passou a ter duas rotundas – uma interna e uma externa - e a Avenida da Liberdade apenas uma faixa central para veículos particulares e outra para o transporte colectivo.
As faixas laterais da avenida deixaram de ser de atravessamento e passaram a ser faixas para trânsito local.
Nas laterais, o sentido do trânsito foi alterado: quando se desce a avenida rumo à Baixa, o trânsito na faixa lateral é para subir e, quando se sobe em direcção à rotunda, o trânsito na lateral é a descer.