Álbum 'Dois selos e um carimbo' dos Deolinda distinguido com o Prémio José Afonso

Álbum 'Dois selos e um carimbo' dos Deolinda distinguido com o Prémio José Afonso

O álbum “Dois selos e um carimbo”, do grupo Deolinda, editado em 2010, venceu o Prémio José Afonso 2011, foi hoje divulgado pela Câmara Municipal da Amadora, que o instituiu em 1988.
Para o júri, o álbum “vem confirmar e expandir, após o merecido sucesso do primeiro CD, em 2008, as já evidentes qualidades deste grupo em plena ascensão".
O "requinte das melodias e dos arranjos, que fundem habilmente várias influências num todo original, mas genuinamente português, ótima interpretação instrumental e vocal e pertinência e atualidade das letras, que se traduzem numa poesia crítica inteligente e plena de humor” foram as qualidades destacadas pelos jurados.
Segundo a nota da autarquia, o júri realçou ainda “a inovação e individualidade musical e a cuidada produção sonora e gráfica do álbum”.
Do álbum, editado pela EMI Music, constam 14 temas, entre eles, "Quando janto em restaurantes", "Entre Alvalade e as Portas de Benfica", "Um contra o outro" e "Fado Notário".
O grupo é constituído por Ana Bacalhau, José Pedro Leitão e os irmãos Pedro da Silva Martins e Luís Martins.
Quando o grupo lançou o álbum, em declarações à Lusa, Ana Bacalhau disse que “Dois selos e um carimbo” era "um reforço daquilo que é a sonoridade dos Deolinda".
Pedro Silva Martins, autor das letras da banda, referiu por seu turno: "Esta é uma sonoridade que pretendemos que chegue a muita gente, até no estrangeiro, mas que tenha um cunho próprio".
"Queremos que as canções sejam referenciais a uma cidade, a um país e a um grupo. Essa assinatura importa-nos muito", realçou.
“Dois selos e um carimbo” sucedeu ao álbum “Canção ao lado”, editado em 2008 pela iPlay.
Foram também finalsitas do prémio os álbuns, “As vidas dos outros”, dos Anaquim, “Guia”, de António Zambujo, “Veículo climatizado”, dos Arrefole, “Do amor e dos dias”, de Camané, “Signo solar”, dos Flor-de-Lis, “Sétimo fado”, de Joana Amendoeira, “Graffiti”, de Júlio Pereira, “Troubadour”, de Lula Pena, e "Fado tradicional”, de Mariza.
Constituíram o júri o vereador da cultura da Amadora, António Moreira, a pianista Olga Prats, o compositor Sérgio Azevedo e a chefe da divisão de Intervenção Cultural da edilidade, Vanda Santos.
Os Deolinda têm novo álbum de originais, “Mundo Pequenino”, editado pela Universal Music na passada segunda-feira e que já é disco de Ouro, pelo número de exemplares vendidos.
A banda apresenta o novo álbum no próximo sábado em Lisboa, às 18:30, na FNAC do Colombo, e às 21:30, na do Chiado. A banda tem já agendadas atuações nos Coliseus de Lisboa e Porto, respetivamente, nos dias 03 e 04 de maio.
O novo álbum tem 14 canções assinadas pelo guitarrista Pedro Silva Martins e as letras estão marcadas por essa cidadania ativa, otimista, não resignada, em relação ao que rodeia os Deolinda.
Exemplo disso é o tema "Algo de novo", espécie de nova carta de intenções da banda, quando Ana Bacalhau canta "Eu, contigo, hei de por isto na rua/que eu também sinto que o melhor está para vir".
Os Deolinda já atuaram além fronteiras, designadamente na Itália, Espanha, Holanda, Bulgária, Reino Unido, Canadá e Estados Unidos e foram distinguidos com o Prémio Revelação 2010 pela revista britânica Songlines.
O Prémio é uma homenagem a José Afonso, "ícone da Revolução dos Cravos e da Liberdade", como afirma a Câmara da Amadora, que com esta iniciativa procura ainda “incentivar a criação musical de raiz portuguesa, bem como fomentar o turismo e a cultura na cidade da Amadora".
Dulce Pontes, Né Ladeiras, José Mário Branco, Sérgio Godinho, Fausto, Júlio Pereira, Mafalda Veiga, Vitorino e António Pinho Vargas foram alguns dos músicos distinguidos em edições anteriores do galardão.