Agualva-Cacém: Obras sem fim à vista

Agualva-Cacém: Obras sem fim à vista

Requalificação da estação continua a marcar passo.
Mais de um ano após a previsão de conclusão dos trabalhos, utentes e comerciantes da estação de Agualva-Cacém continuam a desesperar pelo arrastamento dos trabalhos de requalificação da infra-estrutura ferroviária. Com a estimativa inicial apontada para Agosto de 2011, depois adiada para Abril do corrente ano, agora as previsões mais optimistas, em que já poucos acreditam, apontam para que as obras possam ser concluídas até ao fim deste ano.
As comissões de Utentes da Linha de Sintra (CULS) e de Comerciantes da Zona Contígua à Estação de Agualva-Cacém adoptam a atitude de ‘ver para crer’ e têm desenvolvido uma série de diligências no sentido da conclusão dos trabalhos, que arrancaram em Janeiro de 2010. Além da penalização dos utentes, obrigados a conviver com as obras nas suas deslocações pendulares, os prejuízos acumulam-se para os comerciantes que já falam em reduções de facturação na ordem dos 60 a 80 por cento. Em muitos casos, já fecharam mesmo portas em resultado do corte do tráfego na zona do Largo da Estação, que envolvia ainda a Rua Afonso de Albuquerque e a Avenida D. Nuno Álvares Pereira, e que só foi reposto nos primeiros meses de 2012.
Há um ano atrás, ultrapassada a estimativa de conclusão dos trabalhos, a REFER informou os comerciantes de que as obras seriam executadas até ao final do primeiro trimestre de 2012. "Neste momento, já estamos a acabar o ano e não vemos fim à vista", lamenta Pedro Santos, proprietário de um talho na Avenida D. Nuno Álvares Pereira , que integra a comissão de comerciantes. "Estivemos aqui dois anos barrados, em que não passavam carros nem pessoas, e houve comerciantes que foram obrigados a fechar as lojas", sublinha este empresário, que toma conta de um negócio de família já com 40 anos, em que reduziu de "dois para quatro" o número de pessoas a atender os clientes, além de encerrar um outro estabelecimento próximo. O fecho de portas é extensível a instituições bancárias, oculistas e centros médicos. "Em Junho de 2010, quando fizemos um abaixo-assinado, recolhemos 50 assinaturas de comerciantes. Há meia dúzia de meses, quando fizemos novo abaixo-assinado, foram 30", frisa Pedro Santos, para retratar as consequências do atraso da empreitada no comércio local.
Perante esta realidade, os comerciantes reivindicam o ressarcimento dos prejuízos sofridos. "Sabíamos que esta obra tinha de ser concretizada, para bem da comunidade, mas não que demorasse tanto tempo, o que provocou uma redução de facturação de 60 a 80%", acrescenta este comerciante.
As obras arrastam-se no terreno desde há largo tempo, como acontece, por exemplo, com a colocação de postes de iluminação e de árvores. Há também situações a resolver nos trabalhos realizados, como calçadas que já apresentam sinais de degradação e o piso escorregadio, em mármore, nos acessos à estação, o que tem originado quedas, sobretudo em dias de chuva.