Agências funerárias não escapam ao impacto da austeridade

Agências funerárias não escapam ao impacto da austeridade

O presidente da Associação Nacional de Empresas Lutuosas (ANEL), Carlos Almeida, disse à Lusa que o sector das agências funerárias não escapa ao impacto das medidas de austeridade devido aos menores rendimentos das famílias.

“Não foge à regra, ou seja, a precariedade com que as pessoas sobrevivem com os cortes sucessivos que são dados quer ao nível do rendimento do trabalho quer ao nível das regalias sociais que são inerentes por óbito de alguém com certeza leva a uma contracção mais complicada ainda”, afirmou Carlos Almeida, quando hoje se inicia, em Lisboa, o Salão Internacional do Sector Funerário e Arte Sacra, denominado por Ambifuner.

Carlos Almeida lembrou que mesmo que haja alterações na taxa de mortalidade isso não será necessariamente melhor para as empresas, uma vez que se as famílias não tiverem recursos “para fazer o pagamento do funeral tudo isto é uma bola de neve”.

O presidente da ANEL destacou a introdução dos “seguros de funeral”, que na opinião do dirigente associativo, criam um novo intermediário que vai “influenciar a escolha das pessoas” pela negativa.

De acordo com o responsável da ANEL, a larga maioria das empresas funerárias em Portugal são pequenas companhias familiares que empregam até nove pessoas.

As 800 a 900 empresas existentes contam com perto de 1.400 estabelecimentos por todo o país, afirmou Carlos Almeida.

O presidente da associação afirmou que tem havido mudanças na forma de encarar a morte em Portugal, com uma crescente adesão a cursos de formação de profissionais técnicos do setor, dando o exemplo dos 133 inscritos só na Grande Lisboa.

Segundo o gestor do Ambifuner, Paulo Rodrigues, vão estar presente cerca de 50 expositores no Centro de Congressos de Lisboa, onde o salão decorre entre hoje e sábado.

“O objectivo é divulgar este sector, apesar de um ano de crise mostrar a dinâmica das empresas e tentar encontrar novos clientes, mostrar novas alternativas”, disse à Lusa Paulo Rodrigues.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, o volume de negócios do sector funerário em 2010 foi de 178,8 milhões de euros, um valor ao qual Carlos Almeida disse ser necessário acrescentar o montante das actividades relacionadas como floristas.