Aeronave que se despenhou em Manique fazia voo de treino

Aeronave que se despenhou em Manique fazia voo de treino

O director da escola AWA, à qual pertenciam os dois ocupantes da aeronave que hoje se despenhou em Manique, concelho de Cascais, disse que o acidente ocorreu quando estava a decorrer um treino com um motor desligado.

Renato Pinheiro adiantou à agência Lusa que se trata de uma manobra normal em todas as escolas, que se realiza já no final do curso e que consiste em desligar um dos dois motores da avioneta para saber como o aluno lida com essa adversidade.

"O avião começou a perder sustentação. Alguma coisa terá corrido mal e qualquer causa que se aponte é pura especulação, portanto, vamos esperar pela avaliação técnica para perceber", afirmou.

O responsável realçou ainda que o comandante-instrutor da aeronave é "muito experiente e competente" e que os aviões da escola estão todos devidamente inspeccionados.

A queda do ultraleve ocorreu hoje eram cerca das 12:00, na Quinta de Manique, e provocou dois feridos, um deles em estado grave.

António Gaspar, caseiro na quinta onde a aeronave se despenhou e quem alertou as autoridades, contou que foi "um grande susto".

"Estava a lavar as mãos para ir almoçar e de repente vi a avioneta entrar pelas árvores e a aterrar aqui no quintal a mais ou menos sete metros de distância de onde eu estava. Ouvi gritarem por ajuda e fui logo ligar ao 112", relatou.

No local estiveram 21 bombeiros apoiados por oito veículos, militares da GNR e elementos dos serviços municipais da Protecção Civil de Cascais e do INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica).

Em declarações à Lusa, o vereador da Protecção Civil da Câmara de Cascais, Pedro Mendonça, lamentou o acidente, o segundo em uma semana.

"Lamento estes dois acidentes num tão curto espaço de tempo, mas são coisas que acontecem e não há nada que se possa fazer", afirmou.

À semelhança do que já havia dito na semana passada, aquando da queda da aeronave em Matarraque e que provocou dois mortos, Pedro Mendonça afirmou que a crescente construção na área envolvente do aeródromo aumentou o risco para a queda junto a habitações.

"As circunstâncias do desenvolvimento [do concelho] trouxeram um grande aglomerado de casas para a área circundante do aeródromo e não houve como controlar isso", alegou.

Na passada terça-feira, uma outra aeronave de instrução despenhou-se em Matarraque, próximo do local do acidente de hoje, e provocou a morte do comandante-instrutor e do aluno.

A investigação para apurar as causas dos dois acidentes será desenvolvida pelo Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes em Aeronaves.