Administrador de insolvência do Estrela da Amadora diz que dívida ao Fisco é inferior a dois milhões

Administrador de insolvência do Estrela da Amadora diz que dívida ao Fisco é inferior a dois milhões

O administrador de insolvência do Estrela da Amadora disse no julgamento de oito antigos dirigentes do clube, acusados de incumprimento nas obrigações fiscais de 2002 a 2004, que as dívidas ao Fisco são inferiores a dois milhões de euros.

Os oito antigos dirigentes do Estrela da Amadora, responsabilizados individualmente pelas infracções fiscais no âmbito do Regime Especial de Gestão, foram indiciados pelo Ministério Público de não terem liquidado dois milhões de euros ao Fisco, mas o administrador de insolvência, Paulo Sá Cardoso, entregou em tribunal um documento em que atesta o contrário.

"Os valores não correspondem efectivamente aos valores em dívida. Havia uma discrepância entre o valor pedido pelas Finanças e os valores de dívida no clube, que estão duplicados", afirmou o administrador de insolvência, que o tribunal aproveitou para inquirir.

Paulo Sá Cardoso, que elaborou relatório em resposta à notificação do tribunal, acrescentou que "algumas participações de dívida" ao Fisco "foram corrigidas".

Para a sessão de sexta-feira estava igualmente programada a audição de duas testemunhas da Autoridade Tributária, mas, apesar da comparência dos elementos da entidade, o tribunal adiou o interrogatório para 23 de Novembro.

Na base, está o facto de um dos advogados de defesa dos oito arguidos ter requerido tempo para estudar o documento entregue por um dos elementos da Autoridade Tributária, com valores actualizados em dívida.

São arguidos neste processo Andrade Neves, António Oliveira, Albino Amador, Albina Cordeiro, Armando Biscoito, Fernando Biscoito, José Branco e José Maria Salvado, dirigentes do Estrela da Amadora desde 1990 a 2009.

Os oito antigos dirigentes do clube são acusados de não liquidarem ao Fisco 912.197,67 euros referentes a 2002, 573.308,88 euros de 2003 e 555.051,22 correspondentes a 2004.

O Estrela da Amadora foi considerado insolvente a seu pedido pelo Tribunal do Comércio de Sintra, a 29 de Setembro de 2009.

A dívida à Segurança Social era de 3,2 milhões de euros e ao Fisco de 12,5 milhões de euros.

Foram identificados um total de 204 credores do clube, entre os quais o antigo presidente José Maria Salvado (2,5 milhões de euros), empresas, trabalhadores do clube - entre os quais futebolistas - e particulares que reclamam empréstimos que foram realizados.

Os credores do Estrela da Amadora reivindicam mais de 50 milhões de euros de dívidas contraídas pelo clube.