‘O excesso de informação pode fazer-nos perder a cabeça’

‘O excesso de informação pode fazer-nos perder a cabeça’

Marcantonio Del Carlo faz exercício crítico sobre os meios de comunicação.
Peça "M-Show" está em cena na Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.
Marcantonio Del Carlo tem em cena, na Sala Estúdio do Teatro D. Maria II, em Lisboa, a peça "M-Show", um trabalho em que se assume como autor, encenador e protagonista e que decorre “na ténue linha que existe entre a ilusão e a realidade”.
“Esta peça demonstra que o teatro serve para mostrar o outro lado, aquele lado que, por diversas circunstâncias, o cidadão não olha ou que lhe é menos visível”, disse o actor à agência Lusa.
A ideia da peça, que resulta de um convite do director do Teatro Nacional D. Maria II (TNDM), João Mota, “é uma reflexão sobre o mundo dos media e da comunicação”, disse o seu criador, que acrescentou: “Não é moralista, mas um exercício crítico aos meios de comunicação, da televisão às redes sociais”.
“O excesso de informação pode fazer-nos perder a cabeça”, alertou, para, em seguida, explicar que a sua personagem cometeu um “acto criminoso horrível, de certa forma influenciado pelos meios de comunicação e pelas redes sociais”. “Na realidade, essa tendência já estava nele, mas, de certo modo, foi o mundo da comunicação que despoletou nele essa situação”, esclareceu.
“A peça de 75 minutos é como uma ilusão do espectador, que só se apercebe dela aos 40 minutos quando se dá uma reviravolta e, nesse sentido, têm uma importância fundamental o cenário e a cor escolhida por Eurico Lopes, e os figurinos do Dino Alves”, disse Marcantonio Del Carlo.
Com Marcantonio Del Carlo, que, em palco, é Sebastião M., contracena Marta Nunes, que também assina a dramaturgia. “Ao trabalhar nos ensaios com a Marta descobrimos incongruências no texto que alterámos, e reescrevi-o; além do mais, os ensaios foram feitos com o público, o que nos permitiu acertar pequenas coisas”, assinalou Marcantonio.
“A escrita para teatro é diferente da poesia ou do romance, tem de ser vivida na boca dos actores, tem de ser experimentada, e há coisas que ficam bem no texto escrito, mas não em cima do palco”, acrescentou.
“M-Show”, que o autor reescreveu oito vezes, é a segunda peça da trilogia iniciada em 2009, com “Figuração especial”, estreada no Teatro da Malaposta, em Olival de Basto, nos arredores de Lisboa.
“M-Show” está em cena até 3 de Fevereiro, na sala estúdio do TNDMII, no Rossio, em Lisboa.