'Viagem à Roda da Parvónia' mantém a atualidade mais de cem anos depois

'Viagem à Roda da Parvónia' mantém a atualidade mais de cem anos depois

O Teatro Experimental de Cascais (TEC) leva à cena no sábado, a estreia moderna de “Viagem à Roda da Parvónia", de Guerra Junqueiro e Guilherme de Azevedo, numa encenação de Carlos Avilez.
A comédia satírica, estreou-se em 1889, no Teatro da Trindade, em Lisboa, tendo sido mal recebida pela crítica e pelo público que pateou a representação e partiu algumas cadeiras, contou à Lusa Carlos Avilez.
Para o encenador do TEC, esta reação do público terá sido porque a peça evidenciava “uma nova forma de fazer teatro”.
Carlos Avilez afirmou que não fez qualquer adaptação do texto, “cujas analogias com o tempo presente são assustadoras e preocupantes”.
“Não mexi em nada no texto, pois não precisava, tal é assustador o seu paralelo com os tempos atuais que vivemos, mas a linguagem da encenação é moderna, com algumas referências ao teatro do absurdo de que gosto muito, e os figurinos [de Fernando Alvarez] respeitando o ambiente oitocentista são um pouco intemporais”, disse.
“Esta peça passa-se no parlamento, num bosque, no Parnaso [cenáculo literário], e o texto é muito engraçado, lamentavelmente esquecido, mas eu gosto de desafios”, afirmou Avilez que recordou ter resgatado para a contemporaneidade outras peças, designadamente “Fígados de Tigre”, de Gomes Amorim.
A peça, assinada com o pseudónimo Gil Vaz, que Guerra Junqueiro e Guilherme de Azevedo usavam nas crónicas humorísticas da Gazeta do Dia, procurava retratar a desmoralização política e social da época da estreia.
O encenador chamou a atenção para a música original de autoria de Luís Pedro Fonseca, sobre a qual assinalou “a extraordinária qualidade”.
Luís Pedro Fonseca é um compositor com quem Avilez colabora regularmente, tendo referido, por exemplo, a peça “Onde Vaz Luís”, que "foi um êxito".
“Ele tem a qualidade e capacidade de criar músicas que ficam no ouvido e que as pessoas vão cantar connosco”, disse.
O elenco “é o da casa”, sendo constituído por António Marques, Diogo Martins, Fernanda Neves, Guido Rodrigues, Luiz Rizo, Paula Sá, Pedro Caeiro, Raquel Oliveira, Renato Pino, Sérgio Silva e Teresa Côrte-Real.
Para o encenador, trabalhar com atores que conhece há muito “facilita o trabalho, pois conhece-se bem as vantagens de cada um dos atores”.
“Viagem à Roda da Parvónia“ estará em cena no Teatro Municipal Mirita Casimiro, no Monte Estoril, em Cascais, até ao dia 26 de maio.