'Graffiters' nacionais e internacionais vão pintar paredes da Quinta da Fonte em Loures

'Graffiters' nacionais e internacionais vão pintar paredes da Quinta da Fonte em Loures

Mais de uma centena de artistas, nacionais e internacionais, do “graffiti” vão participar num projeto de requalificação urbana na Quinta da Fonte, em Loures, que pretende eliminar a “má imagem do bairro” e atrair visitantes.
O projeto “O Bairro I O Mundo”, desenvolvido pela Câmara de Loures e pela associação artística Ibisco, prevê reunir perto de 150 “graffiters”, oriundos de várias partes do mundo, nomeadamente Espanha, França, Itália, Luxemburgo, Alemanha, Bulgária, Argentina e México.
O objetivo, segundo explicaram à agência Lusa os promotores do projeto, é levar a cabo uma requalificação sócio-urbanistica no bairro da Quinta da Fonte, recorrendo a artistas de arte urbana, nomeadamente “graffiters”. 
“Estamos a falar de um bairro que é altamente estigmatizado e que merece claramente uma oportunidade de limpar a sua imagem. Esta intervenção vai no sentido de demonstrar que o passado é passado”, afirmou à Lusa a vereadora da Ação Social da Câmara de Loures, Sónia Paixão.
Há cinco anos as televisões abriram os telejornais com imagens de um tiroteio entre duas comunidades do bairro da Quinta da Fonte e é exatamente essa imagem que o projeto pretende “apagar” da memória.
“Se este bairro foi palco de um episódio triste que passou além fronteiras, também poderá ser palco de um espetáculo que passe lá para fora a ideia de que dá gosto viver aqui”, afirmou Sónia Paixão.
A autarca explicou que a ideia passa, depois de estarem concluídas as intervenções artísticas no bairro, realizar em junho um festival, de três dias, que seja capaz de abrir as portas da Quinta da Fonte ao “mundo”.
“Será como trazer o mundo ao bairro. Vamos ter atividades ligadas à dança, cinema, música, gastronomia, teatro. Será um verdadeiro palco ao ar livre”, afirmou.
O entusiasmo da Câmara de Loures é também partilhado pelos artistas que vão participar neste projeto e que durante a tarde de hoje realizaram uma visita ao Bairro da Quinta da Fonte para conhecer os “cantos à casa”.
“Assim que recebi um convite para participar num projeto de cariz social com espaço para a expressão artística senti que não podia recusar. Acho que poderemos dar cor à vida de muitas pessoas que costumam ter um dia cinzento”, justificou à Lusa o “graffiter” Marco Almeida, residente na cidade de Lisboa.
 O “graffiter” Wilson Lopes, 25 anos, vai pintar paredes que bem conhece, uma vez que reside há mais de uma década no Bairro da Quinta da Fonte.
“Quando soube que iam levar a cabo um projeto que ia juntar artistas portugueses e estrangeiros fiquei bastante admirado e surpreso. Acho que será muito positivo contar com a ajuda de pessoal de fora do bairro”, sublinhou.
Relativamente aos conflitos existentes no bairro, o jovem graffiter” assegurou que é um assunto do passado que “já foi superado pela comunidade”.
“Aquilo foi visto como um conflito étnico, mas foi um incidente isolado. Houve foi o azar de haver imagens”, argumentou.
Em 2008 elementos da comunidade cigana e africana envolveram-se em violentos confrontos com armas de fogo, do qual resultaram nove feridos ligeiros e danos em várias viaturas.
No rescaldo desses confrontos a autarquia de Loures e o governo da altura assinaram um Contrato Local de Segurança, com três freguesias do concelho.