"Orçamento de sobrevivência" suspendeu alguns projectos do Festival do Estoril

"Orçamento de sobrevivência" suspendeu alguns projectos do Festival do Estoril

O 38.º Festival de Música do Estoril, que começa no dia 04 de Julho, tem "um orçamento de sobrevivência" que ronda os 130 mil euros, implicando a suspensão de alguns projectos, disse o director artístico.

Em declarações à Lusa, Piñeiro Nagy afirmou que "apenas uma gestão apropriada, com redução de custos fixos de estrutura, e, por outro lado, a negociação de novas parcerias e acordos de coprodução permitem manter as Semanas de Música do Estoril, com as suas diversas vertentes, desde o Festival propriamente dito, aos cursos e ao Concurso de Interpretação do Estoril/Prémio El Corte Inglés".

Dos projectos suspensos, o responsável destacou "a participação portuguesa no MUSMA, um programa patrocinado pela Comissão Europeia e de que o Festival do Estoril é mentor, que une uma série de festivais congéneres internacionais na divulgação conjunta de obras de compositores contemporâneos".

"Apesar das estratégias adoptadas neste ano de crise", Nagy Piñeiro advertiu que "esta não é uma solução sustentável nem poderá repetir-se em próximas edições".

A 38.ª edição do Festival de Música do Estoril, que começa esta semana, só se tornou possível "graças às parcerias com o Teatro Nacional de São Carlos, com a [Orquestra] Metropolitana, o Instituto Superior Técnico e o Teatro de Almada".

"Por outro lado, há também um novo apoio, da Associação Empresarial de Cascais, e é por tudo isto que se tornou possível conjugar os esforços para apresentar a programação" que se cumprirá em salas de Lisboa, Estoril e Cascais.

Até 28 de Julho, o Festival soma 21 apresentações, com uma estreia absoluta e várias nacionais, incluindo ainda os 48.ºs Cursos Internacionais de Música do Estoril e o 14.º Concurso de Interpretação do Estoril/Prémio El Corte Inglés.

A primeira iniciativa do festival verifica-se no âmbito dos cursos internacionais. Trata-se de uma "masterclass" pelo clarinetista António Saiote, no dia 04 de Julho, na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril (EHTE).

No dia seguinte, em Lisboa, no largo de S. Carlos, realiza-se o concerto de antestreia do Festival Ao Largo, pela Orquestra Sinfónica regida por António Vassalo Lourenço, sendo solistas o pianista António Rosado e o violinista Daniel Auner. Neste concerto, entre outras peças, será tocada pela primeira vez em Portugal, "A noiva do Czar", de Rimsky-Korsakov.

Outra estreia nacional do Festival é a da transcrição para três guitarras e cordas da peça "Goyescas", de Enrique Granados.

A estreia absoluta do Festival reside nos Quartetos n.ºs 1, 2 e 3, de António Pinho Vargas, a realizar no dia 12 de Julho, no Salão Nobre do Instituto Superior Técnico de Lisboa.

Estes quartetos resultam de uma encomenda do Instituto, no âmbito da celebração do centenário.

O Curso de Interpretação realiza-se de 13 a 16 de Julho, na EHTE, sendo o júri presidido pela maestrina e professora de música Maria Teresa Macedo.

O concerto de encerramento do Festival realiza-se no dia 26 de Julho, na igreja de Santo António dos Salesianos, no Estoril, pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, dirigida por Reinaldo Guerreiro, com o violinista Otto Pereira, como solista.