Carta aberta a Madonna... por José Maria e Silva

 

Caríssima Madonna,

 

Nós nascidos em 58 podemos dar-nos ao luxo de utilizar este tratamento, pois sentimos uma afinidade inexplicável. É este sentimento que me leva a escreve-lhe estas breves palavras que como verá serão de agradecimento e alerta.

Agradecimento por ter decidido viver em Portugal.

E de alerta, pela mesmíssima razão, por ter decidido viver em Portugal.

 

Como se tem apercebi, a sua estadia em Portugal é noticia permanente, quer por ter nascido em 1958 (obviamente, este é o mais importante), quer por ser autora de música óptima, quer por ter uma família multirracial. Desculpe a ousadia, também por ser uma mulher interessante (como todos os nascidos em 1958, como é obvio). Mas ainda por ter passado a frequentar os locais in (acho que in está desactualizado, deveria usar outros palavrões que sinceramente ainda não aprendi) da cidade de Lisboa.

 

A sua presença por terras lusas trás benefícios recíprocos, quer para si, quer para o nosso país, por razões óbvias que me dispenso de enumerar, mas que resumidamente são, por um lado, menos tributação para si e mais receitas para Portugal (obviamente, que isto são conclusões atrevidas e dificilmente inteligíveis para os fazedores de opinião).

Mas, tome atenção Cara Senhora, os dominadores da nossa opinião pública, vulgo, alguns jornalistas /magistrados, não pensam nem divulgam factos, divulgam unicamente veneno.

Dou-lhe um exemplo, detestavam a presença de angolanos que traziam receitas a Portugal e adoram os chineses, e sabe-se lá porquê (presumo que é mais fácil ler e escrever os nomes dos angolanos do que dos chineses!).

Repare, noutra coisa, essa mesma gente, detesta turistas ricos e adoram turista pé-descalço. Nem sabem porque são assim! Olhe, entendem que é chique!

Obviamente, que a Senhora não entenderá esta postura que se autodenomina brilhante…. nem irá entender!

 

Mas relato-lhe mais um pormenor da autoelevada postura desses nossos dominadores, à uns dias numa gala promovida por uma televisão portuguesa, uma gala do género Óscares em Hollywood, mas para melhor.

Sem enganos na entrega dos prémios.

E sem ar condicionado, para que ninguém tivesse tentação de adormecer no decorrer de tão interessantes discursos.

Às tantas, salvo erro no inicio de tão prestigiada gala, um jornalista da dita TV, em vez de apresentar o prémio, desata num discurso contra a violência doméstica….Agora retenha o seguinte, ao seu lado (do jornalista) estava de mão dada com ele uma outra apresentadora, que, como deve imaginar, por mero acaso, tem diversos processos em tribunal parte dos quais sobre violência doméstica!!!! Presumo que já esteja a começar a entender! Tudo gente de superior inteligência!!!

 

Por aqui, a justiça, ou melhor a mais importante comunicação social associada ao melhor da magistratura fazem justiça.

Portanto prepare-se.

Vai andar durante uns anos a explicar ao fisco como tem tanto dinheiro!

Em paralelo, vai ter de responder a a um juiz de instrução a origem da sua fortuna!

Também, em paralelo, vai ter de aturar gente mal-educada a publicar coisas sobre a sua vida que só a si dizem respeito.

Ou seja, vai ter uma vida regalada e preenchida!

 

Se não apreciar, todo esse movimento em sua volta, siga estes conselhos:

Deixe de procurar palacetes, quintas e propriedades do mesmo género (que proporcionam ao Estado elevados impostos), compre antes em tenda de campismo e vá viver para o parque de Monsanto.

Nem pense adquirir carros de alta cilindrada (que por acaso também proporcionam enormes tributos para o Estado), fique-se por uma bicicleta e quanto muito por um smart em segunda mão.

Deixe-se dessa ousadia de circular por espaços da moda em Lisboa, como restaurantes e bares, fique-se pelas tascas desconhecidas e por bares fora do circuito bairro alto-cais do sodré-santos e afins.

Ah! tome atenção: não se apaixone e namore e/ou case um português apresentável (digo-lhe particularmente que é o meu desejo, pois a Senhora merece, pois nasceu em 1958), isso seria dos piores erros a cometer em Portugal! Se decidir ter uma paixão por um homem  luso e se quiser que a mesma seja apreciada por aquele gente, escolha um que seja tipo desmazelado (explico-lhe o que isto é: ar de quem toma pouco banho, despenteado, roupa amarrotada e mocassins sem graxa) e com um ar pró-feiote. Quando fizer a escolha com estas características certifique-se que: não fuma, não bebe álcool, só come artigos biológicos e tem um arzinho assexuado.

Sei que neste momento se está a interrogar: mas este não é o país do macho latino!!! das corridas de touros!!! Esqueça! Esta rapaziada agora está em retiro até que aquela tal gente se extinga! Entretanto, se quiser conhecer esta boa rapaziada dê um passeio pelo Ribatejo.

 

Bem sei que este género de cartas não podem ser longas (outra moda a que temos de aderir!!!), pelo que vou terminar dizendo-lhe que, espero que essa gente não se meta consigo, aliás estou certo que terão alguma inibição, pois a Senhora tem algumas características que lhes agradam. Cito-lhe algumas:

-    é anti-trump;

-    não é angolana;

-    quer mulheres poder;

-    a Marine não é mulher para efeitos políticos.

-    na politica portuguesa adorará um estilo martins-mortágua com laivos de louçã.

 

Despeço-me com uma vontade enorme de a convidar a ir almoçar um cozido à portuguesa e uns caracóis sem tiques de gourmet e aspirações a estrela michelin.